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A volta do amigo oculto

De O GLOBO

Por ZUENIR VENTURA

Queiroz sumiu por uns oito meses, durante os quais o presidente perdia as estribeiras só de ouvir o seu nome

Antes de viajar para passar fora o réveillon, e de decidir retornar a Brasília, o presidente Bolsonaro fez uma avaliação do seu primeiro ano de governo, anunciando, orgulhoso: “estamos terminando 2019 sem qualquer denúncia de corrupção”. Devido talvez à perda momentânea de memória por causa do tombo no banheiro, ele teve uma crise de amnésia ao fazer essa afirmação.

Na verdade, o ano registrou mais de uma denúncia e o presidente esqueceu, por exemplo, o caso do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, denunciado por usar candidaturas de fachada para acessar o Fundo Eleitoral de 2018.

O episódio de maior repercussão, porém, envolve justamente o filho mais velho do presidente, o senador Flávio, o 01, acusado pelo Ministério Público de chefiar uma organização especializada em crimes de peculato e ocultação de patrimônio. Ele teria lavado R$ 2,3 milhões por meio de transações imobiliárias e de negócios em sua loja de chocolate.

Tudo veio à tona quando, há cerca de um ano, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras descobriu que no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro um assessor era capaz de realizar “movimentação atípica” de R$ 1,2 milhão sem renda compatível e depositar um cheque de R$ 24 mil na conta da futura primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Esse personagem, o PM Fabrício Queiroz, amigo do presidente há 30 anos, comandava a “rachadinha”, o esquema em que os funcionários são coagidos a devolver ao deputado parte do salário.

Tornado público o escândalo, Queiroz sumiu por uns oito meses, durante os quais o presidente perdia as estribeiras só de ouvir o seu nome. Chico Caruso passou a chamá-lo de “amigo oculto”. Quando um repórter perguntou “cadê o Queiroz?”, a resposta foi: “tá com sua mãe”.

Não estava. E acabou reaparecendo agora em um áudio com dicas sobre o gabinete de Flávio:

“Tem mais de 500 cargos lá, cara, na Câmara e no Senado (..). Vinte continho aí para gente caía bem para c*, meu irmão, entendeu? (…) O gabinete do Flávio faz fila de deputados e senadores para conversar com ele, faz fila”.

A todos vocês e ao país, um feliz 2020.

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1 comentário em “A volta do amigo oculto”

  1. Para ensinar os infantis é preciso dizer isto aqui. Estupro é obrigatório na ditadura militar. Aonde a ditadura militar está existe a imposição de estupro. Aprendam.

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