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Feliz aniversário Corinthians ! Feliz ?

Neste 1º de setembro, o torcedor alvinegro comemora, pela 109ª vez, o feito notável, e corajoso, de operários que ousaram fundar o Corinthians em meio ao elitismo predominante no futebol dos primórdios do século 20.

De lá para cá o Timão transcendeu todos os paradigmas, agigantou-se, tornando-se, para muitos, principalmente os mais humildes, a melhor razão da própria existência.

Muitas foram as conquistas esportivas, das quais, por razões evidentes, destacam-se os dois títulos mundiais, a única Libertadores e os campeonatos brasileiros, sem contar os campeonatos paulistas mais relevantes (1954, 1977, etc), antes tratados com bem mais importância.

Vale sempre a pena lembrar: o Corinthians, excetuando-se o famoso período do ‘jejum’ de 23 anos, sempre venceu campeonatos, independentemente dos gestores de momento (alguns terríveis) ou dos grupos políticos que representavam.

Ditadores, democráticos, corruptos e incorruptíveis ergueram taças pelo Timão, porque, dentro de campo, muitas vezes, a grandeza da instituição e o amor de sua fiel torcida superava os desmandos de gente menor.

Entramos nesse assunto para questionar, em meio às comemorações, justas, de mais um ano de existência do alvinegro: este aniversário, especificamente, pode ser tratado como ‘feliz’ ?

O Corinthians, há doze anos, notoriamente, vem sendo gerido por gente que vive do clube (no pior sentido da colocação) e, sem conseguir explicar, multiplicou patrimônio em centenas de vezes.

Em contrapartida, as dívidas alvinegras avolumam-se.

Se antes dessa gente assumir o poder, em meio aos desmandos da gestão Dualib – da qual, apesar de renegarem, muitos participaram – o Timão possuía situação financeira apertada, mas saldo bancário positivo, nos dias atuais a condição é preocupante.

Em breve, será levada ao Conselho a informação de que a dívida aproxima-se, oficialmente, de R$ 700 milhões.

Existem ainda quase R$ 500 milhões de sonegação de impostos parceladas em planos criados pelo Governo para evitar a falência de agremiações desastrosamente administradas.

Outras centenas de milhões estão pendentes em condenações prestes a serem executadas.

O Parque São Jorge, sede do clube, teve sentença de interdição decretada por falta de alvará de funcionamento, sem contar que a integralidade de seu terreno, quando não penhorado para assegurar o pagamento de calotes, foi colocado entre as garantias de pagamento de empréstimos diversos, entre os quais os mais de R$ 400 milhões do BNDES.

Por conta da construção de um estádio que, prometido em reunião do Conselho, seria erguido a custo zero, ultrapassou R$ 2 bilhões em comprometimento financeiro (contando juros e correções), o Corinthians não poderá usufruir, por décadas, das receitas de bilheteria nem de qualquer outro lucro proveniente da Arena.

Os cartolas alvinegros acertaram, também, o repasse dos direitos de uso do terreno de Itaquera, além de símbolos e demais ativos do Timão.

Em meio a esse caos, nem mesmo os jogadores do Corinthians pertencem, como deveriam, ao clube, envolvidos que estão, na condição de mercadorias, em transações obscuras com agentes de jogadores que comportam-se como cartolas, amarram a gestão em empréstimos mal explicados, mas retornam aos dirigentes parte do lucro, tomado, em tese, dos cofres da agremiação.

Até mesmo a comercialização de produtos com a marca corinthiana foi empurrada para uma empresa ‘fundo de quintal’ que tem o ex-diretor de marketing e o atual presidente, dizem, como sócios ocultos, assim como participaram, também, da antiga fornecedora de serviços de ‘catraca’ e confecções de ingressos, a custo de 50% da arrecadação, quando o mercado pagava, se tanto, 10%.

Apesar de, na maioria das vezes, premiados com a impunidade, alguns cartolas descuidaram-se e foram indiciados criminalmente, revelando parte das falcatruas que muitos tentam esconder no Parque São Jorge.

O presidente Andres Sanches, o diretor administrativo, André Negão e o de relações internacionais, Vicente Cândido, foram delatados pela Odebrecht, construtora do estádio, como recebedores de propinas para viabilizarem o sobrepreço da Arena.

Enquanto isso, o ex-diretor de finanças, Raul Corrêa da Silva, que assinou 90% dos contratos da obra, também é investigado, além de estar indiciado, junto com Andres, Negão e também outro ex-presidente, Roberto Andrade, em três ações criminais pela prática de sonegação de impostos e apropriação indébita no exercício de seus cargos no Corinthians.

O Blog do Paulinho poderia passar horas escrevendo e relatando os desmandos de quem, há doze anos, infelicita a grandeza alvinegra com a imensa pequenez de seus atos, mas, para poupar o leitor, encerrará por aqui.

Que o gigante Corinthians sobreviva a eles todos, permanecendo ‘sempre altaneiro’ e sendo, “do Brasil, o clube mais brasileiro”, para que, em breve, possamos desejar um ‘Feliz Aniversário”, como o fazemos, neste instante, com a certeza de que o termo ‘felicidade’ não se tratará, apenas, de força de expressão.

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