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Clubes esculhambam Brasileiro e a CBF aceita caladinha

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Venda de mandos de campo compromete o equilíbrio do campeonato

Não bastasse o desequilíbrio técnico que marca todo e qualquer campeonato com 20 clubes, o Brasileiro mais uma vez é desvirtuado pela venda de mandos de campo.

O Vasco vendeu o dele para enfrentar o Corinthians em Manaus, o CSA abriu mão do seu para enfrentar o Flamengo em Brasília, mesmo local do jogo entre Botafogo e Palmeiras pela sexta e próxima rodada.
Ora, é óbvio que para o Corinthians, apesar de viagem desgastante, é melhor enfrentar o Vasco na Arena Amazônia do que em São Januário, palco da maioria dos jogos de seus rivais quando enfrentarem o Cruzmaltino.

Para o Flamengo, então, enfrentar o time alagoano no Mané Garrincha, em vez de no Rei Pelé, é mamão com açúcar.

Lembremos que o Palmeiras só perdeu pontos até agora exatamente para o CSA e em Maceió.

Digamos que é compreensível, embora eticamente deplorável, que o CSA aja assim do tamanho que é, pequeno e consciente de que está apenas de passagem pela Série A, em busca de encher o cofre mesmo que à custa de impedir que seu torcedor veja o Flamengo de perto.

Mas que Vasco e Botafogo façam o mesmo revela o quanto ambos se apequenaram e também mereçam disputar a segunda divisão, mais adequada ao tamanho que aceitaram passar a ter.

Se a chance botafoguense no estádio Nilton Santos contra o Palmeiras já era diminuta, no Mané Garrincha é quase nenhuma.

Parece ironia abrir mão do Nilton Santos, a “Enciclopédia do Futebol”, pelo Mané Garrincha, a “Alegria do Povo”, dois gênios revelados pelo clube da Estrela Solitária, fartamente responsáveis pelo tamanho do Glorioso, termos e apelidos que se perderam no tempo, jogados na lata de lixo da história pelos seus cartolas.

Alguém dirá que é fácil falar quando não se tem a tarefa de administrar clubes endividados e que não podem perder a chance de ganhar um dinheiro fácil.

Bobagem, visão curta, horizontes rasos, porque quando você vira as costas para o torcedor da sua sede soa como se dissesse que ele é desimportante e torna o abandono inevitável.

Diz a velha máxima que quem não tem competência não se estabelece e Botafogo e Vasco estão apenas provando que, por incapacidade, estão na divisão errada, acima de suas possibilidades, como o CSA.

E a CBF?

A Casa Bandida do Futebol a tudo vê calada e acata a decisão dos clubes para desmoralizar o torneio que a entidade organiza em cima das pernas.

E vai além do que diz respeito ao Campeonato Brasileiro, diga-se, porque na Copa do Brasil também permitiu que o Ferroviário, de Fortaleza, no Ceará, vendesse seu mando para enfrentar o Corinthians em Londrina, no Paraná (!), reduto alvinegro.

Outro absurdo, sofrivelmente minimizado pelo fato de a Copa do Brasil ser em sistema de mata-mata, isto é, sem causar o evidente desequilíbrio quando o regime é de pontos corridos, como o Brasileiro.
Conte para um torcedor inglês que essas coisas acontecem no Patropi.

Ele desacreditará e pensará que o humor brasileiro é ainda mais sarcástico que o britânico.

Quando, no entanto, constatar que não é brincadeira, ficará desconcertado a ponto de concluir que a nós, brasileiros, não faltam criatividade, pudor ou vergonha na cara.

Falta apenas a Rainha para que possamos responsabilizá-la por todos os males que assolam esta terra onde em se plantando tudo dá.

Até banana, muita banana, a fruta que nem fruta é e melhor simboliza as classes dirigentes nacionais, no futebol inclusive.

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