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‘Homemcídio’ e vaginofobia

De O GLOBO

Por NELSON MOTTA

Muitos homens ainda acham a mulher inferior

A pergunta que todo homem que tem filha deve se fazer é: você gostaria que sua filha fosse tratada como você trata as filhas dos outros? E sua mãe? E sua irmã? O que faria se a visse sendo assediada na rua? Sendo espancada por um homem que ela não quer mais? Com fotos íntimas divulgadas na internet por um ex-namorado vingativo? Só imagine.

Como Bolsonaro tem uma filha que adora, e seus filhos têm uma irmã, há esperanças de que algum dia eles entendam como as mulheres devem ser tratadas. Compensa um pouco a “casa de machos”, mas não impede que um deles diga, em vez de condenar o agressor, que a paisagista espancada durante quatro horas, se tivesse uma arma em casa, teria se salvado. Teria é levado um tiro, porque o cara era muito mais forte.

No Dia da Mulher, Bolsonaro preferiu fazer “humor”, dizendo que agora elas também vão poder ter suas armas. “Vamos acabar com esse mimimi de feminicídio, com uma arma na mão o que vai haver é ‘homemcídio’”, e riu gostoso da própria piada.

Depois se chocou e mandou arrancar as últimas páginas de uma cartilha de educação sexual para jovens de 12 a 19 anos do Ministério da Saúde, porque tinha desenhos mostrando em detalhes uma vagina e ensinando como funciona. Mas como adolescentes vão se prevenir de gravidez, de doenças sexuais, de traumas ligados à sexualidade, se não conhecem o próprio corpo? O que seria tão apavorante ou pecaminoso na visão anatômica do aparelho genital feminino? Por que essa vaginofobia? É onde somos feitos e nascemos todos.

Apesar de tantas presidentes de países e de grandes companhias, das militares, cientistas e cirurgiãs vitoriosas, muitos homens ainda acham a mulher inferior. Dilma não fracassou porque era mulher, mas por autoritarismo e incompetência.

Para exigir direitos iguais, as mulheres também estão ficando cada vez mais fortes fisicamente, e muito macho abusado está levando surras humilhantes, como o ladrão que assaltou uma judoca na rua em São Paulo. Respeito não se pede, irmãs, se conquista.

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