Advertisements

Lionel Messi, o subestimado

De O GLOBO

Por MARTÍN FERNANDEZ

Argentino é críticado, mesmo tendo mais uma vez feito mais de 50 gols no ano

Este 2018 foi, como todos os dez anteriores, mais um ano Messi. Nas últimas semanas, o maior atleta não-Pelé da história do jogo ofereceu exibições extraordinárias, que serviram para envergonhar os responsáveis por excluí-lo das premiações individuais da temporada.

Não que haja algo de errado com Luka Modric. É legal que o ocupante de turno do trono seja um meia brilhante e incansável, onipresente no campo e ausente das listas de mais bem pagos do mundo.

Mas Messi pratica outro esporte. Superior. O argentino normalizou o absurdo, a ponto de, num ano em que fez 50 gols, ser contestado por não ter vencido a Copa do Mundo. O que aconteceu na Rússia foi só mais uma demonstração de incapacidade da Argentina de aproveitar seu talento.

O primeiro gol dele com a camisa do Barcelona foi num distante 2005, um toque por cobertura na saída do goleiro Valbuena, do Albacete. Demorou 13 anos, mais de 600 gols e incontáveis títulos e recordes até que alguém finalmente conseguisse cravar o conceito definitivo sobre Messi, o adjetivo que deverá acompanhá-lo para sempre, sobretudo depois que a aposentadoria chegar.

“Messi é subestimado”, escreveu Sean Ingle, colunista do diário britânico “The Guardian”, e citou uma pororoca de estatísticas suficientes para exterminar qualquer comparação com outro jogador.

Ingle tomou como premissa um livro recém-lançado do crítico de música David Hepworth, “Nada é real — os Beatles foram subestimados e outras declarações arrebatadoras sobre o pop”. Nele, sustenta que a riqueza do período de ouro da banda de Liverpool “nunca foi igualada” e que “todo o reconhecimento vindo com a posteridade ainda não é suficiente” para a genialidade do quarteto de Liverpool.

“É hora de reconhecer que acontece o mesmo com Messi”, escreveu Ingle em 12 de novembro. E desde então, como se fosse preciso ou possível, Messi forneceu mais argumentos para essa tese.

No dia 8 de dezembro, num clássico contra o Espanyol, Messi anotou dois gols de falta no mesmo jogo — algo que, por generosidade com companheiros ou benevolência com os rivais, ainda não havia conseguido.

Nas últimas quatro temporadas, ele fez mais gols assim (18) do que todos os times de Espanha, Inglaterra, França e Alemanha. A seleção brasileira não faz um gol de falta desde 2014.

Há jogadores que construíram carreiras respeitáveis sobre essa única base, a capacidade de superar barreiras e goleiros com chutes de fora da área numa bola quieta na grama. Para Messi é só mais uma ferramenta, um recurso com o qual ele castiga quem interrompe o jogo com faltas. Uma semana depois, o Levante sofreu três gols de Messi, o 49º “hat-trick” da carreira (oito deles na Champions). E isso nem foi o melhor que ele fez naquela partida, mas, sim, o passe para o gol de Suárez, depois de um slalom entre os coitados que tentavam marcá-lo.

Se Messi jogasse no Brasil, Tadeu Schmidt seria obrigado a acabar com a brincadeira em que o autor de três gols num jogo pede uma música no Fantástico. Ou inventaria uma regra para o argentino só pedir canções dos Beatles, num quadro chamado “Os Subestimados”.

Advertisements

Facebook Comments

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá, seja bem vindo ao Blog do Paulinho ! Deixe aqui suas dúvidas, sugestões e denúncias. Todas as mensagens serão lidas
%d blogueiros gostam disto: