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No Rio de Crivella, o bispo engoliu o prefeito

De O GLOBO

Por BERNARDO MELLO FRANCO

Na campanha, Marcelo Crivella disse que não misturaria política e religião. A promessa não resistiu a um ano e meio de governo. O bispo engoliu o prefeito, que passou a usar o cargo para oferecer facilidades aos irmãos de fé.

Crivella já havia cortado incentivos a eventos como a Parada Gay e a procissão de Iemanjá. Na quarta-feira, escancarou o jogo ao reunir cerca de 250 pastores no Palácio da Cidade. “Vamos aproveitar esse tempo em que nós estamos na prefeitura para arrumar nossas igrejas”, disse, em discurso gravado pelo GLOBO.

Num município em que milhares de pacientes esperam cirurgias, o prefeito ofereceu um atalho para os fiéis furarem filas nos hospitais . “Se os irmãos tiverem alguém na igreja com problema de catarata, se os irmãos conhecerem alguém, falem com a Márcia”, disse, indicando uma assessora. “Daqui a uma semana ou duas, eles estão operando”, prometeu.

Ele também destacou um servidor para agilizar a isenção de IPTU a tempos que ocupam imóveis alugados. “Se você não falar com o doutor Milton, esse processo pode demorar e demorar. Nós temos que aproveitar que Deus nos deu a oportunidade de estar na prefeitura para esses processos andarem”, afirmou.

As promessas do bispo ferem o princípio da impessoalidade na administração pública. Quem gere o dinheiro dos impostos não pode favorecer amigos, parentes ou seguidores da mesma crença. Crivella também violou o princípio da publicidade ao oferecer as vantagens numa reunião secreta, em que os convidados foram orientados a não tirar fotos.

Em clima de campanha, o prefeito aproveitou para atacar adversários políticos. “Só o povo evangélico pode mudar este país. “Entre nós, não há corrupção”, afirmou. O discurso é falacioso, porque há gente desonesta entre adeptos de todas religiões.

O ex-ministro Marcos Pereira, bispo da Universal e presidente do partido de Crivella, é duplamente investigado por corrupção. Foi delatado e gravado negociando valores com Joesley Batista. A bancada evangélica no Congresso também tem figurões na mira da Lava-Jato. Até outro dia, era chefiada por Eduardo Cunha, cujas penas já somam 40 anos de prisão.

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