Consequências

Do ESTADÃO

Por UGO GIORGETTI

Não há forma mais justa de ser campeão do que chegar em primeiro lugar do campeonato

O Palmeiras foi muito prejudicado por um erro de arbitragem na partida final contra o Corinthians que decidiu o Campeonato Paulista. Não pela anulação do pênalti, que realmente não houve, mas pela sua inicial marcação. Ao apitar a penalidade, o juiz levou ao cume de uma alegria delirante não só os torcedores do Palmeiras, que isso não tem nenhuma importância, mas o time, como se viu das alucinadas comemorações de todos os jogadores sobre o corpo de Dudu, devidamente ainda estirado no chão, como convém a todo jogador que não sofre esse tipo de falta.

Esses sim, os jogadores, pareciam já antever a marcação do gol de empate e uma caminhada tranquila em direção ao título. A volta atrás da marcação foi de um impacto impossível de avaliar. A decepção, a ira e o descontrole que causou teve certamente consequências no episódio das cobranças de pênaltis.

Note-se que entre os jogadores mais descontrolados pelo recuo do juiz estavam Dudu, que perdeu seu chute na disputa final, e Lucas Lima, que também desperdiçou o seu. A cobrança dos pênaltis, portanto, sofreu influência direta do que tinha acontecido na partida com jogadores de cabeça alterada e nervos completamente em frangalhos, eles que normalmente já não são lá muito frios e controlados.

Já escrevi recentemente que pênalti depende da cabeça do batedor acima de qualquer outra coisa. O fato de que esse tipo de disputa é outro jogo não altera a circunstância de que se dá a apenas dez minutos depois da partida de que é causa. O que houve dez minutos antes é crucial para o estado de espírito dos jogadores que vão fazer as cobranças. E a cabeça de muita gente do Palmeiras estava arruinada naquele momento. Não é uma desculpa, mas uma constatação.

Os jogadores do Palmeiras foram para a cobrança psicologicamente derrotados, diante de um grande goleiro no auge do moral. Deu o que deu.

Não posso afirmar que, sem o episódio, teria acontecido algo de diferente, mas juro que quando Dudu ajeitou a bola para bater o primeiro dos pênaltis finais algo me disse que tudo estava perdido. De qualquer forma foi um castigo de certa forma merecido pelo Palmeiras. Não pelos jogos finais que, no fundo, foram iguais, como costumam ser Palmeiras e Corinthians, mas por ter aceito uma forma de campeonato que leva a injustiças como a do primeiro colocado não ser campeão.

Não há forma mais justa de ser campeão do que chegar em primeiro lugar na colocação final do campeonato. A maior parte do mundo conhecido adota essa prática simples, mas não o campeonato paulista. Inventamos aqui em São Paulo que campeão não é o primeiro colocado, mas que pode ser o terceiro ou mesmo o quarto. As diretorias dos clubes, em especial a do Palmeiras, deveriam resistir e ajudar a encerrar de vez esse capítulo melancólico de quadrangulares que se sobrepõe aos pontos ganhos, isso é, premiando um jogo e não uma campanha.

O Corinthians, hoje, também poderia perfeitamente estar reclamando, e com razão, dessa forma provinciana e ultrapassada de disputar campeonatos. Afinal, por apenas dois minutos, por um escanteio na agonia da partida, ele não se viu fora da final, dando seu lugar ao São Paulo, que fez uma campanha que nem o mais fanático torcedor tricolor pode deixar de considerar medíocre.

Seria justo para o Corinthians ficar fora da final do campeonato estadual? Seria justo o São Paulo jogar a final e, no limite, se vencesse o Palmeiras, ser o grande campeão paulista? Bem, só resta dizer que não há absolutamente do que reclamar. A diretoria do Palmeiras deveria, sorridente, comparecer em peso na festa da Federação, levar seus jogadores e ficar muito satisfeita com o resultado de um campeonato que ajudou a organizar.

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