Felipe Ezabella, Elias e Carlos Leite, que teria gastado R$ 200 mil para comprar votos no Corinthians

Felipe Ezabella

Muitos corinthianos escandalizaram-se, ontem, com a informação, do Blog do Perrone, de que R$ 200 mil oriundos do bolso do agente de jogadores Carlos Leite serviram para comprar votos nas eleições do Corinthians.

Evidentemente, os beneficiários não devem ter sido os candidatos opositores.

O leitor do Blog do Paulinho, conhecedor da promiscuidade histórica entre o grupo “Renovação e Transparência”, gestor do alvinegro há mais de uma década, com o empresário, não foi pego de surpresa.

No elenco atual do Corinthians, ao menos Cássio, Camacho e Fagner, todos com renovações antecipadas, mantém vínculo com o agente, beneficiário (um dos primeiros) da política, instituída por Sanches, de pagar comissões a empresários não apenas na venda, mas também na compra e renovações contratuais com os atletas.

Um círculo interminável de movimentação financeira.

Pra variar, a justificativa para a entrada de dinheiro foi a de suposto empréstimo, a mesma utilizada, por anos, para encobrir negociatas não apenas com Carlos Leite, mas também com Fernando Garcia, Giuliano Bertolucci/Kia, etc.

Porém, a debandada do diretor financeiro Emerson Piovesan para a campanha de Paulo Garcia, desobrigando-o de confirmar a lorota, evidenciou a sacanagem.

Em período eleitoral, dois candidatos tentaram lucrar com o episódio: Tuma Junior com seus tradicionais, mas já inofensivos: “Eu sou”, “eu fiz”, “Eu tudo” e Felipe Ezabella, com discurso altamente dissimulado.

Selecionamos trechos de Nota Oficial do grupo “Corinthians Grande”, ex-Corinthianos Obsessivos, assinada por Ezabella:


“O Movimento Corinthians Grande tem, como uma de suas bandeiras, uma relação profissional e independente com os empresários de atletas, para que seu poder de negociação seja restrito à suas relações com atletas – e não com o clube e seus dirigentes.”


Os fatos:

  • Felipe Ezabella mantém relação profissional, mas nada independente, com o jogador Elias, tendo negociado o retorno dele (como procurador), do Sporting para o Corinthians (advogando contra os interesses alvinegros), evidentemente recebendo remuneração, além de todas as manobras da carreira do atleta, desde os tempos de Ponte Preta (participando da primeira aquisição pelo Timão – quando ocupava cargo na gestão Andres Sanches), até os atuais;

Matéria do site português “Mais Futebol” tem entrevista de Ezabella respondendo por Elias:

http://www.maisfutebol.iol.pt/sporting-liga-elias-flamengo-elias-fifa-elias-uefa/530535cde4b06e5b03c8b23c.html

Em 2013, ao site ESPN, Ezabella precisou desmentir ser empresário de Elias, mas indicou estar com o atleta desde antes dele se tornar jogador do Corinthians (ou seja, concomitantemente ao exercício do cargo de diretor alvinegro).

Faltou com a verdade, porém, ao dizer que estava “apenas articulando a questão do Sporting”, como se este fosse seu único trabalho, pontual, com o referido jogador:

“Trabalho como advogado do Elias, não sou empresário. Estou apenas articulando a questão do Sporting. Temos contato antes mesmo de ele virar jogador profissional”

http://www.espn.com.br/noticia/355800_advogado-cre-em-rescisao-de-elias-com-o-sporting-flamengo-e-corinthians-estariam-em-duelo

Somente neste ano (2017), já trabalhando para ser candidato à presidência do Corinthians, Ezabella figura em pelo menos três ações como advogado de Elias, todas litígios contra agentes de jogadores, por cobrança de comissionamento ou direitos econômicos:

  • 9ª Vara Civil de Santana: cobrança de R$ 101.276,24 contra o ex-jogador Eduardo Alves Tavares dos Reis

  • 4ª Vara Cívil: Elias e a empresa E7 são defendidas por Ezabella em ação de cobrança promovida pela Think Ball, do agente Marcelo Robalinho: R$ 5 milhões pela transação do jogador ao Atlético/MG

  • também na 4ª Vara Cívil, Elias e a E7, ambos assessorados pro Felipe Ezabella, cobram R$ 850 mil da Think Ball:

Vale lembrar, também, que o candidato a vice-presidente do grupo “Corinthians Grande” é o agente de jogadores Fernando Alba, que introduziu, no exercício do cargo de Diretor das Categorias de Base na gestão Andres Sanches o sistema de fatiar jogadores da base, também dissimulados como empréstimos, mesmo procedimento adotado na recente suspeita de compra de votos.

Aliás, voltando a Felipe Ezabella, e, principalmente a seu próprio discurso, de que mantinha relacionamento com Elias desde “antes mesmo de ele virar jogador profissional”, é lícito pensar que, quando o Corinthians tirou o jogador da Ponte Preta, o advogado tenha sentado à mesa de negociações exatamente com Carlos Leite, que, segundo documento oficial, publicado no site do Timão, era detentor, por intermédio da B&C Consultoria e Assessoria Esportiva Ltda (mais conhecida pelo nome fantasia: GESTIFUTE BRASIL), de 30% dos direitos do atleta (50% eram de J.Havilla, dissimulados na CEDRO Participações – controlada pela TRAFFIC) e 20% em nome do pai.

(SCCP – Participa_347_343o de 3_272 – SITE – 18092008

Outro trecho interessante da Nota Oficial do “Corinthians Grande”:


“O abuso do poder econômico com a finalidade de interferir no resultado eleitoral é prática ilícita, que coloca em risco todo o certame e ofende os associados em situação regular.”


Ao falar de “abuso do poder econômico” nas eleições, detentor que é da campanha mais cara entre todos os candidatos (superando a do milionário Paulo Garcia), bancada, integralmente, por recursos do ex-diretor financeiro Raul Corrêa da Silva, indiciado três vezes, no STF, por crimes fiscais no exercício do cargo no alvinegro, acusado de fraudar balanços pelo dirigente que o sucedeu, recentemente expulso do Vitória/BA após tentar tomar de assalto a gestão do clube (através de ex-funcionário alvinegro), a quem empossaria, novamente, como dirigente se tivesse chances de vencer o pleito, o candidato chega a ser ofensivo à inteligência de quem acompanha os bastidores do Corinthians.

Assim como indignar-se, somente agora, com práticas eleitorais subterrâneas dos atuais gestores alvinegros, que sempre existiram, mas nunca foram questionadas por Felipe Ezabella e seus “Obsessivos” quando eram diretores da “Renovação e Transparência”, como se estas fossem recentes e inéditas no Parque São Jorge.

Por fim, dos cinco candidatos que disputam as eleições do Corinthians, Carlos Leite, suposto comprador de votos por R$ 200 mil, não tem relacionamento com três: Roque Citadini, Tuma Junior e Paulo Garcia (concorrente).

Dos outros dois: Andres Sanches é notório permissor e parceiro de negócios do empresário e Ezabella procurador do jogador (Elias) com quem o agente mantém relações profissionais há quase uma década.

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6 ideias sobre “Felipe Ezabella, Elias e Carlos Leite, que teria gastado R$ 200 mil para comprar votos no Corinthians

  1. Pra mim é o único que tem o mínimo de preparo pra ser presidente. Espero muito que ganhe e ponha o Corinthians na grandeza que merece estar.

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