Pagar os jogadores ou reuni-los com a “organizada” ? Qual a solução para evitar o vexame do Corinthians ?

Depois de um primeiro turno atípico no Campeonato Brasileiro, em que o Corinthians, com um grupo de jogadores apenas mediano disparou na classificação, muito por conta do trabalho do treinador Fabio Carille, que soube organizar a equipe com rara competência, o clube passou a jogar na fase final do torneio como time de segunda, correndo risco, agora, de histórico vexame.
Qual a solução para evitá-lo ?
Aparentemente, a reunião com os representantes de “organizadas” que dizem representar torcedores do clube, gente trabalhadora e de notório saber futebolístico, a ponto de substituir os dirigentes alvinegros em bate-papo com os atletas, não deu resultado.
Muitos dirão: os “caras” (jogadores) não saem das baladas…
Saiam no primeiro turno ?
Parece óbvio que o problema é bem outro e passa, tudo indica, pelo motivo que costuma desestabilizar nove em cada dez trabalhadores no Brasil: descumprimento de palavra do patrão entre o que foi acordado e o efetivamente cumprido.
Boa parte dos atletas alvinegros estão sem receber seus vencimentos completos (CLT está em dia, por conta da legislação, mas direitos de imagem – a maior fatia, atrasados), a premiação integral da conquista do Campeonato Paulista e percentuais expressivos sobre luvas.
Além disso, bem informados num mundo em que basta acessar a internet para saber de muita coisa, os jogadores observam ex-atletas do clube ingressarem na justiça contra o Timão para tentar receber o que lhes é devido, quando não seus empresários, quase todos em litígio com a direção alvinegra.
Em exemplo: Guilherme Arana tem dinheiro a receber e seu agente, Fernando Garcia, além de acionar o Corinthians na esfera judicial, o aguça com a possibilidade de negociá-lo ao exterior, já no final desta janela de transferências.
É leviano afirmar que os jogadores estejam fazendo “corpo mole” por conta destes problemas, até porque não há indícios de que isto ocorra, mas é notório que a junção de diversos fatores negativos, desde a desconfiança com a diretoria até a insegurança dos resultados acabam por interferir no estado psicológico, desencadeando movimentação em sentido inverso ao que é necessário para um time alcançar seus objetivos.
Dentro de um ambiente de clara insatisfação, Fabio Carille fez, com absoluta competência, o que estava a seu alcance, mas não pode pegar dirigentes pelos colarinhos e exigir-lhes comportamento que nunca tiveram em suas vidas privadas.
O Corinthians ainda depende de si para conquistar um campeonato que já tinha espaço reservado no memorial de troféus, mas que agora está ameaçado pelos fatores elencados e por um Palmeiras empolgado e também dependente apenas de suas forças para conquistá-lo (se vencer o Cruzeiro, hoje, e o Corinthians, na próxima rodada, assumirá a liderança pelo número de vitórias).
Chamar os “Gaviões” ou honrar os compromissos ?
A solução é tão óbvia que chega a ser constrangedor ainda não ter sido aplicada.
EM TEMPO: os “orientadores” de jogadores, parceiros da diretoria, ontem, após a derrota para a Ponte Preta, mostraram a verdadeira face nos muros do Parque São Jorge:

