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Demissão de Zé Ricardo é sintoma de uma gestão “esperta”, mas que não entende de futebol

Entre acertos e desacertos, em meio a comportamentos quando não dúbios (como quando o presidente Eduardo Bandeira de Mello beijou as mãos de Marco Polo Del Nero ao aceitar o figurativo cargo de chefe de delegação da Seleção Brasileira), suspeitos (parte da diretoria rubronegra é acusada de corrupção na Operação Lava-Jato), o Flamengo, inegavelmente, está mais organizado administrativamente.

O que não implica, diante do comparativo que existia anteriormente, que tudo esteja funcionando como deveria.

Apesar de existirem desconfianças, até por conta das pessoas envolvidas na gestão, de beneficiados pessoais escondidos nas melhorias coletivas, o departamento mais próximo de comprovar irregularidades é exatamente o que é cercado pelas maiores expectativas, frustradas, desde sempre, pela evidente incompetência diretiva.

Se entendem de colocar as contas em dia, os dirigentes rubronegros pouco sabem de futebol.

É conhecida nos bastidores do esporte, por exemplo, a má-fama do dirigente Rodrigo Caetano, que, apesar de endeusado por parte da mídia, entre os quais alguns a quem garantiria o sustento, trata-se de um empresário de futebol bem colocado numa das maiores vitrines mundiais de jogadores.

Por razões óbvias, contratações e dispensas, tanto de atletas quanto de treinadores não seguem, necessariamente, critérios técnicos desejáveis.

A demora, em exemplo, da demissão de Zé Ricardo, mesmo tendo este fracassado nos principais torneios disputados pelo clube ao longo de seu contrato, explica-se mais pela submissão aos desejos do comandante do que, propriamente, à divulgada política de “dar tempo ao trabalho”.

No topo de tudo isso estão presidente, vices e demais dirigentes do Flamengo, que, se não incompetentes para enxergar o que o mercado da bola já sabe, há tempos, seriam, até pela notória “esperteza” empresarial com a qual se apresentam, talvez, co-partícipes de práticas inconfessáveis do submundo esportivo, daquelas que pouco levam em consideração o resultado esportivo.

Um erro, convenhamos.

Até para manter o sistema, seria mais inteligente contratar alguém que entenda de futebol (eles, claramente, não são do ramo) mais do que negócios, evitando, assim, que o torcedor flamenguista, cada vez mais decepcionado, passe a desconfiar de que a sugerida “gestão modelo” possa estar contaminada com parasitas até então invisíveis, mas nem por isso menos vorazes.

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