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Devolver o estádio de Itaquera não resolverá o problema do Corinthians

Nos últimos dias, surgiu a discussão, entre conselheiros do Corinthians e também nas mídias sociais, da possibilidade do clube devolver o estádio de Itaquera, como forma de resolver a pendência financeira, que ultrapassa R$ 2 bilhões, claramente turbinada por superfaturamento e pagamento de propinas a dirigentes.

Não é, nem de longe, a melhor solução.

Mesmo comprovados todos os ilícitos de que se tem notícia, se conseguisse devolver o imóvel (uma ação quase impossível), o clube permaneceria devedor (ao menos do BNDES), tendo ainda que solucionar outras pendências por meios judiciais.

O caminho da arbitragem, mais rápido do que o da Justiça tradicional, resolveria, certamente, os problemas do clube com a Odebrecht, que ficou devendo R$ 250 milhões em obras, que seriam abatidas dos R$ 300 milhões, que, segundo relatório do Arena Fundo à CVM, seriam ainda devidos pelo Corinthians à construtora.

Outras pendências, como os empréstimos pontes, que tornariam o Fundo credor de R$ 250 milhões, também poderiam ser eliminados na arbitragem, porque já existe a comprovação de que tais acordos somente foram fechados por conta de atraso da Odebrecht ao enviar documentação ao BNDES.

Em tese, destes valores o Corinthians poderia até ter dinheiro devolvido (do que foi direcionado das bilheterias dos jogos de futebol) ou utilizado para amortizar dívidas que, por ventura, existam com a construtora.

Por fim, com a reestruturação do contrato, em que, diante do exposto, não mais seria necessário reservar toda a arrecadação das rendas das partidas para pagar o que, pelo que se observa, já foi honrado, bastaria mínima organização administrativa para quitar os R$ 400 milhões do banco governamental.

Facilitaria, também, o rompimento do leonino contrato com a OMNI, empresa ligada a Andres Sanches, que embolsa 50% das rendas alvinegras, além de estacionamentos e negócios diversos no Parque São Jorge.

O que resolverá o problema do Corinthians não é se desfazer de patrimônio, mas administrá-lo com inteligência, honestidade e competência, sem deixar de cobrar, na Justiça, ressarcimento aos cofres do clube de dirigentes que, segundo a Polícia Federal, embolsaram dinheiro para assinar aditivos que elevaram o preço do estádio de Itaquera dos orçados R$ 330 milhões para, especula-se, mais de R$ 1,2 bilhão (se contar a incidência de juros).

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