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Trump, seis meses

EDITORIAL DA FOLHA

O presidente dos EUA, Donald Trump, chega a seis meses de governo nesta quinta-feira (20) sem muito o que comemorar.

Pesquisa da rede ABC News e do jornal “The Washington Post”, realizada de 10 a 13 deste mês, mostrou que só 36% dos americanos aprovam o trabalho do republicano na Casa Branca –queda de seis pontos em relação ao levantamento anterior, de 20 de abril.

A maioria (55%) acredita que ele não esteja avançando no cumprimento de suas promessas, e 48% avaliam que a liderança internacional dos EUA se enfraqueceu.

Para agravar a situação, pesam contra Trump suspeitas graves como as que cercam as relações de sua equipe de campanha com representantes do governo da Rússia.

O episódio mais recente desse “affair” foi a revelação, pelo “The New York Times”, de que seu filho Donald Trump Jr. agendou um encontro, em junho de 2016, com uma advogada russa, supostamente ligada ao Kremlin, na expectativa de receber dados desabonadores sobre a democrata Hillary Clinton.

A notícia deixou o presidente em situação difícil. Em seu estilo agressivo, ele insistia em atribuir as suspeitas a uma suposta “caça às bruxas” movida por setores da imprensa e pelo próprio FBI (a polícia federal dos Estados Unidos), que investiga o assunto.

De acordo com a pesquisa, 60% dos americanos acreditam que a Rússia tenha influenciado a campanha —e o mesmo percentual considera que a reunião marcada por Trump Jr. tenha sido inapropriada.

Quanto às promessas, embora muitas tenham sido cumpridas por meio de decretos, o republicano sofreu retumbante revés na mais simbólica delas —a substituição do Obamacare, o sistema de saúde lançado pela gestão anterior.

Depois de não obter os votos de seu partido para aprovar um projeto no Senado, onde tem uma apertada maioria, Trump propôs simplesmente revogar a lei em vigor, mas novamente falhou. Não reuniu a maioria e desistiu.

É na economia que Trump tem melhor avaliação: 43% consideram que está trabalhando bem nessa área, ante 41% que pensam o contrário. O efeito benéfico, no entanto, é atenuado pelo fato de que a recuperação já se fazia sentir no governo democrata.

Trump preserva as intenções de voto em seus rincões eleitorais, o que encoraja os republicanos, apesar de dissidências pontuais. Em 2018, eleições renovam parte do Congresso. Uma eventual derrota poderia deixá-lo mais vulnerável a contestações a seu governo. A perspectiva mais crítica seria a possibilidade de instauração de um processo de impeachment.

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