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Da Lei de Gerson para a Lei de Rodrigo Caio

Da FOLHA

Por ROGÉRIO CHEQUER

Cena inusitada aconteceu no último domingo, semifinal do Campeonato Paulista, entre São Paulo e Corinthians.

Numa disputa de bola, o volante Jô e o zagueiro são-paulino Rodrigo Caio se embolam, e da confusão sobra um pisão na perna do goleiro do São Paulo. O juiz achou que tinha sido Jô o autor da pisada, e aplicou-lhe um cartão amarelo. Com dois cartões acumulados, Jô ficaria de fora do próximo jogo. Mas foi aí que aconteceu o inesperado.

Rodrigo Caio saiu de onde estava e foi falar com o juiz. Disse que tinha sido ele quem pisara no goleiro. Diante da confissão, o juiz retirou o cartão amarelo de Jô.

A cena, encarada como inusitada, gerou todo tipo de polêmica. A atitude de Rodrigo Caio foi elogiada pelos adversários e dirigentes (e, pasme, criticada por um colega). Chama a atenção que Rodrigo Caio não precisava fazer nada para que seu time levasse vantagem; bastava que ficasse calado. Mas não, ele tomou a iniciativa de ir até o juiz para esclarecer a verdade.

Em tempos de delações premiadas, passamos a assistir, todos os dias, depoimentos de executivos que contam realidades ultrajantes do Brasil. A diferença é que eles não o estão fazendo pela ética ou pela moral, e sim para não passarem anos na prisão. A exemplo de Marcelo Odebrecht, relutaram por mais de um ano em dizer a verdade. Só decidiram por ela quando viram que não havia mais saídas. Quando perceberam, pela primeira vez na vida, que de nada adiantaria a fortuna e influência que têm, ou uma equipe de advogados tão caros quanto inescrupulosos, pois foram pegos com a boca na botija. Só decidiram contar a verdade quando perceberam que, neste caso, não haveria Lei de Gerson.

Rodrigo Caio, por sua vez, nada ganharia com sua atitude. Muito pelo contrário, teria que enfrentar no jogo de volta um dos jogadores adversários mais perigosos. Ganharia apenas a tranquilidade de ter falado a verdade. E não hesitou em fazê-lo.

Cultura se cria a partir do comportamento de líderes e influenciadores. Suas atitudes são tomadas e seguidas como modelo. Um exemplo como este, vindo de um dos maiores hábitos do brasileiro —acompanhar futebol— começa a criar um precedente virtuoso para o povo.

Por fim, vale refletir o porquê de um evento como esse ser tratado como algo inusitado. Quando acontece na Europa, não chama a atenção. Mas num país onde, seja no esporte, nos negócios ou na política, o honesto é visto como trouxa, essa coragem, principalmente quando isenta de trocas, abre esperança de uma nova cultura. Chega da Lei de Gerson. Que venha a Lei de Rodrigo Caio.

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3 Respostas to “Da Lei de Gerson para a Lei de Rodrigo Caio”

  1. mabraganca Says:

    Nao é questao de ser honesto ou nao… Mas catimba e malandragem fazem parte do futebol… Quero ver se o jogo for 2×1 pro spfc com gol do Jo….

  2. Alan Cézar (@EUABSOLUTIS) Says:

    Parabéns ao Rodrigo pela atitude. Claro que essa atitude é rara e continuará sendo rara. O Rodrigo fez o que achou justo para ele e isso é o que vale. O que outros jogadores, treinadores entres outros acham, pouco importa, pois cada um tem a educação e o comportamento que mais o agrade.

    Se a ele agradou, dane-se o que os outros acham. espero que aqueles contrários ao comportamento do Rodrigo no jogo, sofram por que alguém agiu de forma inadequada com os mesmos. Por exemplo, precise que alguém testemunhe a seu favor por ter razão em uma situação qualquer e o mesmo não o faça, agindo assim, da forma que eles gostariam que o Rodrigo agisse, só para sentir na pele o gostinho do erro.

    Não quero dizer com isso que, no mesmo jogo (nem vou falar sobre o patéticos e escandalosos jogadores de Palmeiras e Ponte), não tenha havido malandragens não confessadas. Por isso, parabenizo o Rodrigo e, não o condenaria caso ele não tivesse confessado, pois lá tinha alguém errando nesse caso, que era o árbitro.

    Por conta das reações contrárias por parte de muitos torcedores, fosse eu o Carile, em homenagem ao Rodrigo, não escalaria o Jô, para evitar que o Jô decida o jogo em favor do Corinthians, pois nesse caso, o Rodrigo poderá sofrer (de diversas formas) muito com isso.

    Carile, não escale o Jô!!!!

  3. Sandra Queiroz Says:

    quem vai pela cabeça dos outros é piolho. Rodrigo fez o que sua consciência mandou.

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