Lúcido, Fernando Prass fala sobre Bom Senso, CBF, Clubes e Política nacional

Dos mais lúcidos jogadores do Brasil, o goleiro Fernando Prass, que atuou na linha de frente do extinto grupo de jogadores denominado Bom Senso FC, concedeu entrevista ao repórter Guilherme Seto, da FOLHA, em que trata sobre diversos assuntos, sem medo de opinar em assuntos relevantes, seja no esporte ou na política.

Selecionamos os principais trechos e seus temas:

GOLPE DA CBF (REUNIÃO DE MUDANÇA ESTATUTÁRIA)

A maneira como foi feita é difícil de se entender. Foi uma reunião em que só foram as federações, e é óbvio que elas votariam para terem mais poder.

Agora cabe aos clubes se posicionarem.

Tudo tem que ser em função dos clubes, assim como o sindicato dos atletas tem que agir em função dos atletas, mas não é sempre assim.

Os clubes têm que lutar e se posicionar pelo que acham certo.

MOMENTO POLÍTICO BRASILEIRO

O Brasil está passando por um momento crucial de escolher que caminho seguir.

A corrupção não começou agora, com o PT, nem com PMDB nem PSDB. Vem de antes.

Agora muita coisa está vindo à tona, e o Brasil tem que escolher: fazer acordos, como sempre, e fingir que se faz Justiça; ou realmente fazer Justiça e punir as pessoas.

E nisso o povo brasileiro é muito importante, porque muitas vezes parece que ele quer ser enganado.

A população tem muita culpa.

A cultura brasileira é a do jeitinho, a de levar vantagem. Isso tem que mudar.

BOM SENSO FC

Mais do que o Bom Senso, faz falta uma conscientização maior do jogador. Mas não só dele. O jogador é reflexo da sociedade.

O futebol não é uma ilha de ignorância e alienação. A nossa sociedade é assim.

Você vê exemplos de políticos punidos no passado por barbaridades e que são reeleitos com número absurdo de votos.

Em termos de alienação, o povo brasileiro sempre foi muito acomodado. E quando a gente fala do futebol, só fala da elite.

Tem a imagem de que o jogador é bem sucedido, mas é só na Série A e talvez na B. Isso é 5% do futebol.

O restante vive a realidade do restante da população, de recessão e dificuldade para ter coisas básicas, como educação para filhos, saúde e moradia.

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