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Trump facilita discurso de que ele está em guerra contra o Islã

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Da FOLHA

Por CELSO ROCHA DE BARROS

A primeira realização do governo Trump foi dobrar, da noite para o dia, o preço de ser aliado dos Estados Unidos da América.

De agora em diante, países que aderirem a acordos comerciais propostos pelos Estados Unidos saberão que, a qualquer momento, poderão ser acusados de jogar sujo e roubar empregos, não importando o tamanho do esforço que tenham feito para redirecionar suas estruturas produtivas para competir no mercado americano.

Se isso pode acontecer com o México, um país vizinho que os EUA têm interesse em manter sob sua esfera de influência, porque não poderia acontecer com o Chile ou com a Colômbia? Se Trump aceita humilhar o direitista Enrique Peña Nieto desta forma, que respeito podem esperar outros políticos latino-americanos que pensem em apoiar os Estados Unidos?

Por outro lado, países localizados na periferia de adversários dos Estados Unidos agora sabem que não podem mais contar com Washington (ainda é esse o nome? Os boatos são de que passará a se chamar Moscou-sobre-o-Potomac). Lituanos e Ucranianos que se inspiraram no Ocidente para lutar pela independência agora sabem que podem ser entregues a Putin a qualquer momento.

No mundo muçulmano, os adversários dos EUA agora só precisam mostrar as entrevistas de Trump: ele já declarou singelamente que é a favor de invadir países para roubar petróleo. Sua nova política de imigração é abertamente islamofóbica: enquanto escrevo, imigrantes 100% legais, possuidores de green card, estão sendo impedidos de entrar nos Estados Unidos apenas por serem muçulmanos.

Vejam como ficou mais fácil, para um inimigo dos Estados Unidos, dizer que o presidente norte-americano está em guerra contra o Islã e pretende roubar o petróleo dos árabes. Nos casos de Obama e mesmo no de Bush Jr., isso era só uma caricatura.

Coloque-se no lugar de um iraniano ou de um sírio moderados que defendam uma aproximação com o Ocidente: sua vida, desde a semana passada, ficou mais fácil ou mais difícil? Imagine-se um militar americano tentando recrutar colaboradores no interior do Afeganistão: Trump é seu amigo?

Em entrevista à Folha no último domingo, o economista Tyler Cowen disse que ” Os EUA vão passar este período se comportando mal, e é uma ótima oportunidade para países como México e Brasil esbanjarem maturidade”.

Bem, na primeira semana de Trump, os vencedores foram os extremistas islâmicos, a esquerda radical da América Latina e Vladimir Putin. Os únicos aliados dos EUA que demonstraram entusiasmo com Trump até agora foram Netanyahu e Theresa May, e nenhum dos dois ilustra o verbete “sei o que estou fazendo” da Wikipedia. Ninguém nessa turma é candidato forte a adulto no recinto.

Com Trump, os Estados Unidos não estão só deixando vago o cargo de adulto responsável. Estão também sabotando seus potenciais substitutos, em especial os que seriam mais propensos a defender uma visão de sociedade global semelhante à que os americanos vinham defendendo desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

PS: Também há razões para otimismo: no sábado, advogados americanos foram para o aeroporto de Nova York, sentaram-se no chão com seus notebooks e redigiram, de graça, habeas corpus para os detidos pela imigração de Trump. Um país não morre de um dia para o outro.

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