A Fifa será vista no Brasil como mafiosa até punir o chefão da CBF

marin del nero

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Gianni Infantino já esteve duas vezes no Brasil depois que assumiu a presidência da Fifa.

Na primeira, em visita que ele mesmo chamou de protocolar à CBF, gentilmente se recusou a almoçar na entidade com o Marco Polo que não viaja.

Como se dissesse: “Já que você não viaja eu não almoço”.

Voltou recentemente para homenagear as vítimas da tragédia da Chapecoense e novamente guardou formal distanciamento, ajudado pelas circunstâncias que exigiam comedimento.

Mas suas cautelas profiláticas significam pouco, quase nada diante do quadro geral no futebol nacional e do imobilismo da entidade que dirige.

Não foram poucas as vezes em que cartolas da Fifa vazaram a informação sobre o fim da impunidade de Del Nero neste dezembro.

A cinco dias de acabar o ano, nada indica o anúncio da destituição do chefão da Casa Bandida do Futebol.

Pense no absurdo da situação vivida por ele: dirigente máximo do organismo responsável pelo futebol cinco vezes campeão mundial não pode sair do país porque indiciado pela Justiça dos Estados Unidos e com o nome nos computadores da Interpol para ser detido assim que atravesse quaisquer fronteiras, provavelmente com exceção das da Coreia do Norte e, talvez, de Cuba, países desimportantes para o futebol e sem atrações turísticas que agradem ao mandatário da CBF.

A continuar no posto, o Marco Polo que não viaja não poderá ir à Rússia na Copa de 2018 porque até nisso deu azar com a eleição de Donald Trump, chapa de Vladimir Putin.

Imagine a seleção brasileira de Tite hexacampeã mundial e Del Nero asilado no Guarujá.

O suíço-italiano Infantino não tem dado a devida atenção para o descrédito da Fifa que diz querer limpar diante de situação tão kafkiana.

“Farinhas do mesmo saco”, decreta o torcedor do time pentacampeão mundial, não por dar bola aos cartolas, mas por querer acreditar num mínimo de decência no (i)mundo do futebol.

O papa Francisco disse que “o dinheiro é o esterco do diabo”, mas, embora torcedor do portenho San Lorenzo de Almagro, é possível que desconheça que no caso do esporte o capeta viva em constante desarranjo intestinal.

Basta constatar que Infantino não está sozinho em seu imobilismo cúmplice, pois o presidente do Comitê Olímpico Internacional, o alemão Thomas Bach, faz o caminho inverso de Del Nero e não vem ao Brasil, como não veio à Paraolimpíada, por temer ter de se explicar para as autoridades do país sobre as nebulosas transações da Rio-16.

Estranho observar que essas mesmas autoridades sejam tão complacentes com Del Nero e com Carlos Nuzman, o responsável pela Rio-16, apesar das irregularidades já diagnosticadas pelo Tribunal de Contas da União e pela Operação Lava Jato tanto na Copa do Mundo quanto na Olimpíada.

A Fifa tem expulsado de seus quadros uma porção de cartolas secundários denunciados pela Justiça de Tio Sam, todos peixes pequenos.

Até agora evitou punir um tubarão proibido de usar o passaporte como o presidente da CBF.

Quanto mais tempo passar, mais falta de credibilidade acumulará no país de Havelange/Teixeira/Marin/Del Nero.

Até quando, dona Fifa?

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