Corinthians atrasa 13º e não tem dinheiro para contas básicas do clube

Conselho do Palmeiras lava as mãos e Justiça deve decidir sobre desvio de dinheiro

O Corinthians, às vésperas do Natal, ainda não pagou a segunda parcela do 13º salário de jogadores (e demais funcionários), nem tem dinheiro em caixa para honrar contas básicas.

Em meio ao caos financeiro e administrativo, o clube ferve com presidente novamente representado no MP-SP (já estava sendo investigado por fraude ao ter assinado ata da Arena Fundo, gestora do estádio, há dois dias das eleições, quando sequer ocupava o cargo) desta vez por crimes financeiros contra o Timão (descumprimento da Lei do Profut).

Para falar sobre o assunto, procuramos os dois líderes do grupo que faz oposição à diretoria, responsável pelo pedido de impeachment de Roberto “da Nova” Andrade, além do próprio, que não retornou as mensagens enviadas.

Osmar Stabile, apesar de não responder aos questionamentos sob alegação de estar viajando de Nova York para Washington, em rápido bate-papo telefônico disse desconhecer os atrasos, mas que não estranha, “diante do histórico dessa diretoria”.

Respondeu ainda ser favorável ao impeachment e que a última reunião do Conselho “reforçou mais as necessidades do afastamento”.

Quem detalhou bem a atual situação da diretoria foi o conselheiro Romeu Tuma Jr:

“O requerimento para impedir o avanço da aprovação da previsão orçamentária é meu… protocolei e exigi que constasse em ata”.

Sobre os atrasos, disse:

“A informação que está circulando sobre novos atrasos de pagamentos, principalmente a do 13º salário, configura-se nova agressão à Lei do Profut”

Ontem, a FOLHA trouxe explicações do diretor financeiro Emerson Piovesan, que rechaçou a tese de Tuma sobre irregularidades na apresentação da previsão orçamentária, sob o seguinte argumento:

“(…) as divergências nas despesas eram resultado da realocações de verbas e que os valores finais estavam corretos.”

Tuma Jr. retrucou, ao blog:

“Não é verdade. É mais do que divergência… o próprio fato de existir divergência (se fosse apenas isso) já é uma ilegalidade”

“Foi publicado um documento no site e enviado outro ao conselho, com revisão orçamentária de 2016 e orçamento para 2017, sem aval do CORI, do Conselho e de auditoria externa, conforme prevê artigo 4º do PROFUT… além do crime pelo descumprimento da Lei há ainda outra irregularidade, o desrespeito ao Estatuto, que exige os três pareceres”.

“O Profut requer que o clube apresente as contas detalhadas e separadas por setores, não esse amontoado demonstrado na reunião… teve gente alegando que existe prazo de três anos para adequação, são leigos no assunto ou estão de má-fé. Nós já aprovamos alterações estatutárias que estão em vigor, ou seja, antecipamo-nos aos três anos”.

“O orçamento que a diretoria queria colocar em votação contém incongruências, incompatibilidades, irregularidades e ilegalidades… um desastre. Eu disse na reunião que não poderia ser votado e em sendo, fazia-se obrigatória a rejeição, sob pena de responsabilidade para toda a diretoria, CORI e demais conselheiros”

Sobre o assunto “caos financeiro”, levantado novamente após a revelação de que o Corinthians voltou a atrasar seus compromissos, o conselheiro respondeu:

“Eles adiantaram verba da Rede Globo de 2020 e lançaram nas contas como se fosse o maior superavit dos últimos tempos. Trata-se de crime. O PROFUT impede esse tipo de procedimento… a diretoria fecha um contrato futuro (com o atual em vigor) surrupia dinheiro que deveria estar no caixa do presidente do período posterior, insere no balanço como dinheiro conquistado pelo “atual”, sem indicar, ainda, como, quanto e para que foi utilizado.”

“O art. 25 do PROFUT exige transparência na exposição de contas. O que implica dizer que cometeram mais um crime, não apenas nesse “arranjo” com o dinheiro da Rede Globo, mas também pelo relatório publicado no site (diferente do enviado ao Conselho). O único lugar que o torcedor tem aberto para consultar as contas do Corinthians é o site. Todos foram enganados. Não há transparência.”

Por fim, Tuma Jr. reiterou que acionará o MP-SP, apesar do Conselho ter barrado a votação:

“O crime já foi cometido. Pelo Roberto (Andrade), tudo indica, ainda a ser apurado, pelo Piovesan (diretor financeiro) e talvez pelo CORI”.

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