Conluio entre Corinthians e Odebrecht fraudou relatórios do estádio em Itaquera

Em 03 de setembro de 2011, Corinthians e Odebrecht assinaram “Contrato de Engenharia, Fornecimento e Construção das obras civis de estádio de futebol em Itaquera – São Paulo”, o único com a rubrica do deputado federal Andres Sanches, então presidente do clube.
Entre diversas clausulas, a 15ª, em seu item 15.4, deixava clara a obrigatoriedade da construtora em, mês a mês (no máximo até o trigésimo dia), encaminhar ao clube o Boletim de Avanço das obras, com todas as descrições, detalhadas, da construção, sob pena do clube não realizar os pagamentos previstos no acordo.
Porém, o item 15.5 diz que o Corinthians deverá, no máximo, em até dez dias após o recebimento do referido documento, aprová-lo ou recusá-lo.
Em não se manifestando, o clube terá aceitado, tacitamente, os dados enviados pela Odebrecht, obrigando-se, em consequencia, a pagá-la pelo serviço.
Foi desta maneira, não se posicionado sobre o Boletim de Avanço de nº 39 (o último), que Corinthians e Arena Fundo deram aceite à conclusão da obra, com construtora emitindo a Nota Fiscal, encerrando os trabalhos, discurso que mantém, amparada em contrato, até os dias atuais, mesmo estando ciente de que trata-se de uma fraude, e que o estádio está longe de ser concluído.
Recentemente, o TCM requereu a documentação para avaliação que poderia resultar, em constatadas irregularidades, o impedimento da liberação de R$ 420 milhões em CIDs da Prefeitura, levando a construtora ao desespero, conforme comprovou matéria do Blog do Juca, dias atrás:
Evidencia-se, assim, o epílogo do “Golpe de Estádio”, um conluio entre dirigentes de Odebrecht e Corinthians para preencher bolsos intermediários às custas de recursos do clube.



SETE BOLETINS DE AVANÇO FRAUDADOS POR ROBERTO ANDRADE, SOB ORDENS DE ANDRES SANCHES

Observa-se, de cara, no primeiro Boletim de Avanço emitido pela Odebrecht, que as obras do estádio iniciaram-se dois meses antes da assinatura do compromisso entre a construtora e o clube, o que revela, além de procedimento estranho (uma empreiteira colocar dinheiro na frente sem ter garantias de recebê-lo, no futuro), alguma temeridade nos procedimentos.
Trata-se do nº 1 compreendendo o período de obras entre 30/05/2011 a 25/06/2011.
Porém, este “Boletim” e os outros seis para frente (totalizando sete), avalizando todos os trabalhos da Odebrecht no estádio até o dia 25/12/2011, somente foram entregues ao Corinthians para que fossem aprovados no dia 30 de janeiro de 2012, em flagrante irregularidade contratual.
Mas, pior do que isso, conforme comprovaremos com documentos a seguir, todos foram assinados não pelo presidente Andres Sanches (que, safo, preferiu se ocultar), mas sob suas ordens, pelo então vice, Roberto “da Nova” Andrade, em datas retroativas, sete meses após o limite legal.
É prova inequívoca não apenas de novas fraudes do agora presidente alvinegro (em conluio com Andres Sanches e a Odebrecht), mas de que o Corinthians, há tempos, vem sendo lesado por essa gente em favorecimento a interesses diversos.
Nenhum deles age sozinho e todos sabem, em detalhes, tudo que está acontecendo.
Os documentos da Fraude
Confira abaixo, sete cartas assinadas pelo engenheiro da Odebrecht, Antonio Roberto Gavioli (investigado pela Lava-Jato), todas em 30 de janeiro de 2012, enviadas à BRL TRUST, para a construtora, com cópia ao vice-presidente Roberto Andrade e para Luis Paulo Rosenberg (representantes do Corinthians), citando a necessidade da assinatura dos Boletins de Avanço para que se possa “cumprir” a referida “Clausula 15”.
Em anexo às correspondências, todos os Boletins de Avanço, com datas retroativas, assinados em fraude por Roberto Andrade:


BOLETINS DE AVANÇO PASSAM A SER RECEBIDOS PELA BRL TRUST
Depois do envio pela Odebrecht do BOLETIM DE AVANÇO de nº 7, o último assinado pelo Corinthians, todos os outros passaram a ser recebidos pela BRL TRUST, gestora do ARENA FUNDO, responsável pela administração do estádio em Itaquera, com cópia agora ao delegado Mario Gobbi e também a Luis Paulo Rosenberg (que só deixa de ser copiado a partir do nº 20, datado de 07 de fevereiro de 2013).
Todos, do nº 8 ao famoso nº 39 (o que dá por finalizada a obra), aprovados, alguns por assinatura, outros (estranhamente sem rubrica) tacitamente (como previsto em contrato).
CONFIRA, NOS LINKS ABAIXO, 33 DOS 39 BOLETINS DE AVANÇO ENVIADOS PELA ODEBRECHT DETALHANDO OS PROCEDIMENTOS DAS OBRAS DO ESTÁDIO EM ITAQUERA
Boletins nº 1 até nº 14
Boletim nº 15
Boletim nº 16
Boletim nº 17
Boletim nº 18
Boletim nº 19
Boletim nº 20
Boletim nº 21
Boletim nº 22
Boletim nº 23
Boletim nº 24
Boletim nº 25
Boletim nº 26 até 31 (não tivemos acesso)
Boletim nº 32 até nº 37
Boletim nº 38
Boletim nº 39
