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Cicinha e Deva Pascovicci

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Por MARISE CATHARINE

Sempre fui apaixonada por futebol e por rádio, aprendi com meu avô essas duas paixões, junto com a terceira: o São Paulo Futebol Clube.

Antes do meu avô ir embora, ele me ensinou a ouvir a Rádio Globo/AM.

Lá pelos meus 16 anos, eu já era muito ligada à Internet e ouvindo jogos On-line, descobri que a Rádio CBN além de transmitir os jogos, tinha um chat. Pronto, juntei o amor ao rádio a oportunidade de conversar com outras pessoas sobre a partida.

Foi assim que começou meu ROMANCE com a CBN. Todos os jogos estava lá, no Chat CBN, era a única mulher no meio de um monte de marmanjo, mas nunca fui desrespeitada ou deixaram de ler meus comentários futebolísticos por ser mulher.

Por estar sempre ali, acabei fazendo amizade com os jornalistas, comentaristas e narradores da rádio. Conversava com a maioria deles fora dos horários de jogos.

Foi assim que por Skype conversei muitas vezes com Deva Pascovicci.

Ele até me adotou como sobrinha e eu o chamava de Tio Deva.

Ele sempre me dava dicas de futebol, me falava do amor pela sua esposa Rosana e suas filhas Mariana e Carol, me contava sobre as vitórias que já tinha conquistado na vida em cima de doenças e principalmente me apoiava a estudar Jornalismo e trabalhar com isso.

Sempre foi um querido. Sempre super atencioso.

Então, a vida foi me distanciando do futebol. A faculdade ocupando muito meu tempo e eu não entrava tanto mais no chat nem conversava com aquelas pessoas queridas. Mas sempre tive um carinho enorme por todos eles e sei que eles também sempre tiveram um carinho por mim.

Lembro que encontrei há pouco um amigo daquela época e ele me disse: “Nossa, todos sempre gostaram muito de você na CBN. O Deva sempre te elogiava e falava com muito carinho de você”.

Apesar da distância e os acontecimentos da vida, nunca esqueci essas pessoas especiais. Principalmente o tio Deva.

Acompanhei sua saída da CBN. Sua contratação na Fox Sports e sempre estava, mesmo de longe, feliz por ele nos presentear com sua voz maravilhosa narrando os jogos.

Hoje, a hora que vi as pessoas que estavam a bordo do avião, meu coração apertou. Quando houve a confirmação dos mortos, eu chorei muito. Chorei por todas as perdas. Por grandes talentos perdidos. Chorei por saber que não teremos mais muitos profissionais maravilhosos que se foram. Chorei por saber que o Deva estava nesse vôo. Chorei por saber o quanto ele amava sua família e era apegado a ela. Chorei por não ouvir nunca mais nessa vida seus elogios e ele me chamando de Cicinha. Chorei, pois não tive tempo de despedidas, de agradecer por ele ter me ajudado e me aconselhado. Chorei, porque a vida é tão frágil.

É difícil entender e aceitar. Mas sabemos que as missões de todos que estavam naquele vôo, foi cumprida e era hora deles partirem. Eles deixaram um sentimento de impotência no país inteiro. Mas temos que aprender com tudo isso a amar mais o próximo, a mandar aquela mensagem quando sentimos vontade de mandar, a perdoar as pessoas, a abraçá-las, a sempre dar um jeito de vê-las, a nós unir….

Hoje, ouvindo novamente meus áudios com o Deva e sabendo o quanto ele foi especial, só tenho que agradecer a ele. E pedir que o Pai Celestial o conforte. O proteja. O leve para um lugar maravilhoso, assim como todos os outros que estavam nesse vôo.

Ensaiei o dia inteiro desabafar aqui, aguentei até agora, mas tem hora que não dá. Precisamos escrever o que sentimos pra nos sentirmos melhor.

Vá em PAZ, PAVAROTTI do Rádio Brasileiro! Vá em Paz Deva Pascovicci. Que Deus cuide e conforte toda a família Paschoalon.

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