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Andres Sanches utilizou-se de antigo “preposto” para receber comissão dos patrocínios do Corinthians

André Campoy
André Campoy

Reportagem de Martin Fernandez para o Globo Esporte revelou que o Corinthians pagou 10% de comissão para o empresário Andre Campoy, notório “testa de ferro” do deputado federal Andres Sanches, nos nebulosos patrocínios que sujaram a camisa do clube nos últimos anos.

Estão entre as negociatas comprovadas, a da WINNER, site de jogatina com diversas sedes em paraísos fiscais e a mais recente, a Apollo, que tem como um dos proprietários empresário investigado pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal.

No negócio envolvendo o portal de apostas, a cláusula 5.4 estabelece que o Corinthians terá que pagar R$ 1,9 milhão ao intermediário (Campoy).

winner-contrato

O agente diz ter recebido da empresa, não do clube, mas, além do contrato, Nota Oficial do Departamento de Marketing alvinegro, enviada ao Globo Esporte, entregou o pagamento:

“(…) Nesse caso foi pago ao intermediário 10% do valor recebido pelo clube como comissão. Vale ressaltar que essa prática é praxe em todo o mercado, não somente no futebol, e feito de forma totalmente transparente.”

Assim como no episódio da prisão do vice-presidente do Corinthians, André Negão, acusado de receber R$ 500 mil em propina da Odebrecht, em que a Polícia Federal acredita tratar-se o dirigente de mero “caixa” do deputado Andres Sanches, ninguém duvida, no Parque São Jorge, que o procedimento de Campoy é semelhante.

O agravante, nesse caso, é que o clube admite o pagamento do comissionamento, apesar de ter sofrido calote da Winner.

Desde 2007, o Blog do Paulinho tem revelado a relação de sociedade em transações de jogadores envolvendo Andres Sanches e seus prepostos, André Campoy e Marcelo Djian (ex-zagueiro alvinegro), iniciada ainda nos tempos em que o deputado era mero obedecedor de ordens do ex-vice Nesi Curi nas categorias de base alvinegras.

Todos os jogadores desviados por Sanches eram inscritos em empresa que tinha Campoy e Djian como proprietários.

Em janeiro de 2009, o ex-diretor de futebol do Corinthians, Nenê do Posto, recém demissionário do cargo, em conversa telefônica, revelou-nos que Campoy fazia negócios dentro da sala da presidência (à época, de Andres Sanches).

Confira abaixo áudio e transcrição do bate-papo:

Paulinho

“… deixa eu aproveitar a ligação para te perguntar uma coisa… o André Campoy e o Marcelo Djian… eu tenho a informação de que eles são “testas” do Andres em vários jogadores…

Nenê do Posto

O André tem várias contratações… o Coelho é dele…o Eduardo Ratinho, que está voltando, não deu certo lá…ele trás mesmo vários jogadores…

Como ele faz negócio com o Andres direto, Paulinho, é complicado… a gente não sabe o que está sendo feito…

Todo jogador que o André Campoy… faz o seguinte…tudo que eu te falar você pode publicar…

O André (Campoy) sobe lá para fazer negócio… eu gosto muito dele…é um cara legal, mas é um profissional da área e tem que ver o lado dele… vai da pessoa que está fazendo negócio aceitar ou não…

Ele vai lá em cima e negocia com o Andres direto…

Inclusive o Antonio Carlos ficava puto, não vai com a cara do André… eles não gostam…ele e o Mário (Gobbi), porque o Campoy não negocia com eles, só com o Andres…é uma briga do caramba…eu ouvia muito isso ai lá…

Paulinho

Esse caso do Coelho, o que me falam é que ele (Coelho) era do Jaça… ele tinha uma dívida com o Andres  e passou o passe do Coelho para ele…

Nenê do Posto

É… pode ser…

Isso daí eles mentem… toda vez que a gente ouve falar eles ficam putos e tal…

Mas alguma coisa tem, porque o Coelho tem muita amizade com o Andres… sabe, é uma amizade diferente de atleta para dirigente….

Paulinho

Claro… claro…

NOTA DO BLOG: COELHO, NOS DIAS ATUAIS, TRABALHA PARA ANDRES SANCHES NAS CATEGORIAS DE BASE DO CORINTHIANS. MAIS DETALHES NO LINK ABAIXO:

O Coelho do Cartola

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Em outubro do mesmo ano, o agente de jogadores Toninho Silva, que havia acertado a negociação do jogador André Luiz, do Barueri para o Timão, também denunciou a ação de Campoy:

“Chegamos a acertar tudo. Conversei com o Mário Gobbi [diretor de futebol do Corinthians] há uns 30 dias mais ou menos, e a proposta da época agradou. O clube nos ofereceu um contrato de dois anos”

“Tudo esfriou quando o André Campoy [empresário bem relacionado com o presidente Andrés Sanchez] entrou no negócio. Não entendi o motivo de ele se envolver. Não sei se ele é dirigente do Corinthians ou alguma coisa do tipo”.

Para que o leitor tenha noção do nível de periculosidade dessa gente, e, principalmente, nas mãos de quem está jogado o Corinthians, desde 2007, relembraremos um caso que envolve os citados em crimes ainda mais graves do que os que supostamente teriam sido praticados no Parque São Jorge.

Em 2013, um dos sócios de Andres Sanches e André Negão, num desmanche de automóveis, foi executado, cruelmente, próximo a Rodovia Fernão Dias, em São Paulo.

A autoria nunca foi comprovada.

Nos bastidores fala-se em acerto de contas, já que o morto teria ligações com o PCC.

Um ano depois, novo homicídio, a poucos metros do comitê da chapa “Renovação e Transparência”, que cuidava, entre outras coisas da campanha de Andres Sanches a Deputado Federal, pelo PT, deixou o ex-presidente do Corinthians, e seus parceiros, amedrontados.

O homem assassinado respondia pelo nome de “Túlio”, estava em um carro blindado – dos mais luxuosos – com placa de Campinas, e seria, segundo informações, um dos intermediários utilizados por Andres Sanches para realizar transações com jogadores de futebol.

Outro de seus “laranjas”

Ambos frequentavam, também, a sede dos Gaviões da Fiel.

Poucos minutos antes de morrer, Tulio iria se encontrar com André Campoy (foto), também “testa de ferro” de Sanches para negociação de jogadores (desde os tempos de Coelho, Fabinho Fontes, etc.) no intuito de receber ingresso para a Copa do Mundo.

Campoy  esperava num boteco próximo a sede da “Renovação e Transparência”, também do comitê de Andres Sanches, no Tatuapé, a poucas quadras do Corinthians.

Assim que Tulio desceu do carro para o encontro foi abordado por homens que estavam, segundo testemunhas, num carro e em duas motos, que, sem muita comunicação, começaram a atirar.

Relatos dizem que “Túlio” teria sido atingido por seis tiros, numa ação rápida e assustadoramente profissional.

Apavorado, Campoy se evadiu do local.

Informações dão conta de que a execução teria como mandante a mais conhecida facção criminosa que atua nos presídios de São Paulo, e que o fator motivador seria desacerto na distribuição de drogas, porém, poucas vezes se viu o ex-presidente do Corinthians, Andres Sanches, e seus companheiros, tão preocupados.

Resta saber se apenas por luto, em amizade, ou pela possibilidade doutras histórias surgirem a partir deste episódio.

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CONFIRA ABAIXO MATÉRIA DA FOLHA, PUBLICADA LOGO APÓS AS REVELAÇÕES DO BLOG DO PAULINHO

Corinthians abre bolso com agentes

Nas intermediações de transações de jogadores, clube paga percentuais acima do mercado e repassa até 25% do total

Empresário Marcelo Djian ganha por contratação de Fabinho, do Toulouse, sem participar da negociação, segundo o próprio volante

RICARDO PERRONE

DO PAINEL FC

RODRIGO MATTOS

DA REPORTAGEM LOCAL

Em aperto financeiro, o Corinthians pagou comissões a empresários acima do percentual de mercado em transações de jogadores, como mostram dados do próprio clube obtidos pela Folha. Em ao menos um caso, o agente não fez nada, segundo o atleta contratado.

No total, quatro negociações geraram pagamentos de R$ 1,6 milhão para empresários. O valor das transações gira em torno de R$ 9 milhões. Ou seja, as intermediações representaram quase 18% dos negócios.

O mercado do futebol costuma estabelecer como 10% a comissão usual dos empresários. O Corinthians alega que a necessidade de fechar transações -ou para reforçar o time ou o caixa- o levou a pagar valores acima disso em alguns casos.

O que mais chama a atenção é a venda dos direitos do zagueiro Zelão para o Saturn, da Rússia. A transação foi fechada por US$ 1,8 milhão -entraram R$ 2,988 milhões nos cofres do time. O empresário israelense Tzvi Kritzer, no entanto, ficou com R$ 747 mil desse valor. Ou seja, o agente embolsou um quarto da negociação.

Segundo a diretoria corintiana, o clube informou ao empresário que aceitaria negociar o zagueiro por US$ 1,4 milhão. Kritzer foi à Rússia e obteve oferta US$ 400 mil maior.

“Nós exigimos que o dinheiro todo entrasse no clube pelo Banco Central. E, depois, repassamos os US$ 400 mil [ao empresário]”, disse o advogado corintiano Luis Felipe Santoro, que contou ainda que uma parte foi para o Bragantino, detentor dos direitos sobre o atleta.

“Não falo de dinheiro com jornalistas. Contratos não deixam”, disse Kritzer, que confirmou ter intermediado o negócio. “Se a versão do Corinthians é essa, é isso”, afirmou Fábio Brito, sócio do israelense.

Bem remunerado, Kritzer pelo menos mostrou Zelão aos russos. Mais do que fez o empresário Marcelo Djian no caso da contratação de Fabinho, de acordo com o próprio jogador.

Não houve pagamento por direitos (foi empréstimo do Toulouse). Mesmo assim, o agente ficou com R$ 135 mil, por ser o empresário do volante, segundo o Corinthians.

“Negociei direto com o presidente [Andres Sanchez]”, disse Fabinho, negando participação de Djian na sua liberação.

“Às vezes o time quer um jogador, mas precisa da ajuda do empresário”, defendeu Djian, que disse ter recebido valor de um salário do atleta.

O problema é que, pela legislação da Fifa, o cliente do agente -Fabinho- é quem deveria pagá-lo. Se o Corinthians remunerá-lo, precisa de consentimento por escrito do atleta.

Sem acordo entre jogador e agente, só deve ser dado 3% do salário anual ao representante. O pagamento a Djian foi cerca de 10% desse total.

Fabinho era ex-atleta do clube e conhece os dirigentes. No escritório de Djian, trabalhou André Campoy, que era da divisão de base corintiana na gestão de Alberto Dualib, quando Andres era da diretoria.

Outro agente de jogador que lucrou no Corinthians foi Juan Figer. A compra de parte dos direitos de Acosta foi por R$ 1,335 milhão. A MJF, empresa do agente, recebeu R$ 248 mil. Ou seja, 18,6% do total.

A diretoria nega ter pago mais de 10%: baseia-se no salário do jogador, que é de R$ 125 mil. Neste caso, o valor anual é de R$ 1,6 milhão -a comissão ultrapassa um décimo disso.

Outro que ganhou alto foi Franck Henouda, na transação de Everton Santos. Com direito a 50%, o clube recebeu R$ 3,1 milhões do Paris Saint-Germain e pagou R$ 500 mil para o agente. “Ganhei 10%, recebi com nota”, disse Henouda.

O Corinthians disse que a comissão foi sobre o total (R$ 5 milhões). E que descontou parte da intermediação de repasse ao detentor de outros 50%.

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