A reforma do 2º grau

balão asno

Apesar dos claros ajustes a serem efetuados, a reforma do ensino brasileiro de 2º grau, além de necessária, representa, em boa parte dos termos apresentados, grande avanço ao caos que, há décadas, vivia-se no país.

Todo aluno de Faculdade, ainda mais com a transformação de universidades em verdadeiros “fast-foods” educacionais (onde manter a mensalidade em dia garante aprovação), do jeito que as coisas estão, inevitavelmente sentará ao lado de alguns semi-analfabetos, vítimas de um estudo de 2º grau absolutamente desinteligente.

No “colegial”, alunos eram obrigados a assistir aulas que não correspondiam às suas vocações, habilidades e desejos de carreira, proporcionando evidente desestímulo ao estudo e consequente excesso de faltas.

Com o novo sistema, mantidas as matérias fundamentais (português, matemática, inglês, etc.), a possibilidade de escolha doutros cursos é o desejo de todo aluno quem um dia já se questionou: “Por que tenho que aprender “isso” se minha faculdade será “daquilo” ?”.

Outra mudança relevante é a elevação da carga horária, que, além de gerar o aprofundamento nas discussões de matérias que antes eram despejadas nas lousas, decoradas para as provas e nunca mais lembradas como referências a cursos posteriores, manterá estudantes nas escolas, local bem mais adequado do que os que possibilitam, em períodos de ócio, diversas práticas que podem levar a graves desvios de conduta.

É evidente que retirar da grade obrigatória matérias importantes como “Educação Física” e “Artes” precisará ser revisto, mas é fato, também, que poucas escolas as tem aplicado com qualidade nos dias atuais.

Em regra, educação física nas escolas públicas trata-se de jogar uma bola na quadra para que os alunos “se virem”, quase sempre sem orientação adequada (há exceções, óbvio, que deveriam servir de exemplo), e as “artes”, quando muito, tratam-se de colagens em cartolinas ou outras atividades que pouco aproveitam as habilidades de seus praticantes.

É justo que se reclame pelos equívocos cometidos na apresentação da MP do 2º Grau (a própria proposta, em medida provisória, sem discussão por especialistas, pode ser considerada inadequada, apesar da urgência da implementação), mas tapar os olhos para os evidentes avanços da proposta em sobreposição à triste realidade de nossas escolas não se trata de análise coerente com os fatos.

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