Desgoverno do Santos exemplifica hábitos financeiros da cartolagem

É unanimidade, entre os entendidos em economia, que um clube não deve gastar com seu departamento de futebol mais do que 70% de toda a sua arrecadação.
O restante, por razões obvias, deverá ser utilizado noutras despesas, principalmente as administrativas.
O PROFUT, após chiadeira irresponsável dos dirigentes das agremiações, limitou o teto de gastos a 80%, 10% a mais do que seria razoável.
Ainda assim, os clubes não aprenderam a lição.
Lendo hoje a coluna de Paulo Calçade, no Estadão, observo que o Santos gastou 102% do que arrecadou no departamento de futebol.
Ou seja, sem sobras para pagar contas mínimas, endividou-se ainda mais.
Não por acaso, as contas da gestão Modesto Roma Junior foram reprovadas, recentemente, e o dirigente somente não sofreu, ainda, processo de afastamento porque segura-se em inexplicável decisão liminar da Justiça.
Evidentemente, o caos administrativo não se limita às fronteiras da Vila Belmiro, é notório, também, noutros clubes, com raríssimas exceções.
Previstas em Lei, as punições (rebaixamento de divisão, etc.) parecem inexistir (não se tem notícia de aplicações de sansões), o que estimula, ainda mais, a atuação lesiva da cartolagem.
O desgoverno do Santos é apenas um exemplo, entre tantos, de que o fundo do poço do futebol nacional, utilizado pela grande maioria dos gestores para a própria salvação financeira, está longe, muito longe, de ser alcançado.
