A Deus, querida. À espera do Bessias

dilma fielzão

Por MAURO BETING

Você não é querida, mesmo enviando flores para o meu pai no túmulo. Agradecimento pessoal que fiz me servindo de salada ao lado da senhora no Alvorada, naquele jantar com mais nove coleguinhas de imprensa esportiva, antes da Copa. Ali a senhora foi alguém que muito me intriga: simpática, espirituosa, engraçada, ouvinte atenta, ponderada, senhora de si e do Brasil sem dó, e com imenso risco de ré por tudo aquilo que é sabido. Conspirado ou não. Dilminha paz e amor que nunca vi oficialmente, apenas naquele convescote. E, pelo não visto de fato, mais não veremos.

Você não me é querida. Mas é muito respeitada. Não a queria candidata de Lula – como só ele pareceu querer. Mas tive certeza que você quase sempre quis fazer o certo. Como eu também tentaria não derrubar um Boeing se eu o pilotasse como você o manteve no ar em velocidade de cruzeiro – da época das caravelas. Mas você é séria. Respeitosa e respeitável. No jantar fiquei feliz quando respondeu que convivia com o José Maria Marin que abrira caminho para Herzog ser torturado e morto em São Paulo na condição de presidente da República e, ele, da CBF. Na condução de um processo democrático que não admite rancores. Na consideração pessoal que alguém que tem de cuidar do Brasil precisa ter para não desvirtuar o passado repulsivo da velha república e da ditadura vergonhosa. No dever adquirido de não torturar o futuro brilhante. Que nenhum Ustra ou apologista com QI de ostra e QG de macaco vai levantar a bola.

Vivemos dias de intolerância e ignorância. Madrugadas assim também por tudo que você, presidente, não fez. Ou deixou fazer. Ou fez mal. Aquela mulher admirável do jantar eu não vi em Brasília em seis anos e meio. Vi apenas a que represa vento, saúda mandioca, e fala abobrinhas. A que jogou fora muitos dos avanços dos anos de PT. A que não soube driblar a crise econômica. A que soube criar todo tipo de problema político, partidário e pessoal. E que nem a chegada de um Bessias com documento pode dar foro especial. Apenas um Fora Dilma que foi foda.

Não sou petista de carteirinha. Sou PT de urna. Já votei muito em nomes do partido. Muitos que já saíram. Plinio, Erundina, Soninha, Marta (não dá pra relaxar, mas podem me gozar), Zé Abreu (ou seria o Dirceu, meu Deus!?), Bicudo pré-perua-gira do impeachment, Suplicy (o senador que a senhora não atendia). Já votei até na legenda para deputado estadual! Preguiça minha. Mas era para não anular o voto. Como anulei no segundo turno de 2014. No primeiro eu estava viajando a trabalho. Não tinha como votar como votei Dilma-13 em 2010. Como anulei em 2014. Com receio, sim, de eleger o neto de Tancredo (só para usar uma expressão que muitos já usam e vão usar de que “meu pai está agora se revirando no túmulo” pelo que estou falando… Acho que ele não faria isso, por ser democrata, não DEMOcrata como muitos das redes antissociais. Mas, se alguém acha que ele realmente está se revirando, favor ir falar diretamente com ele para checar. Pessoalmente. Pode ir lá pro céu. E depois me conta o que ele acha disso tudo. Isso, claro, se você puder dar uma passadinha lá no céu, né?).

Enfim, presidenta, ou presidente, o fim nunca justifica os meios, não votei Dilma-13 em 2014. Jamais votaria Aécio-45. Por medo dele até pensei em votar na senhora – ainda com temor do seu vice Temer. Mas dei um migué. Digitei 69. De sacanagem mesmo. Anulei.

Mas quis apenas fazer o que, de fato, a esmagadora maioria está fazendo agora no país. Mandando quase todos vocês irem tomar no Cunha. Temer a Deus, todos. Podem aproveitar os “encontros republicanos” e convidem o Rodrigo Constantino para uma palestra tão interminável e insuportável como a sessão do Senado. Aquela em que Fernando Collor votou a favor do impeachment. Fer-nan-do-Col-lor. Na mesma semana em que a lei deu indulto de Dia das Mães para a Suzane Von Richtofen celebrar a memória dos pais que assassinou. É tudo a mesma lerda justiça.

Por isso a celebração de hoje no país também é sua culpa. E de todos os que elegem nossos representantes. O real “crime de responsabilidade” cometido foi escolher Michel Temer, O feio, retocado e do lar do PMDB, para vice na sua chapa. Chupa! Chama pra xepa quem se lambuza da marmelada desde o vice que verba José Sarney só pode dar nisso. Impeachment. Golpe. Traição. O nome inominável que for. Está na regra do jogo e na régua dos jegues. A pedalada proibida não é brincar de banco imobiliário com as contas públicas. É jogar telefone sem fio com o Moro gravando e vazando até pensamento no Palácio do Jaburu. Definição própria de bicho feio que agora vai nos vampirizar. O Bela Lugosi, recatado e do WAR.

Sei que eleição se ganha assim com qualquer aliado da base maquiada e maquiavélica. Com caixa 2 e 171, superfaturamento, João Santana e os diabos e Delúbios que levaram Vaccari pro brejo. Sei que para governar você precisa jogar o jogo dos Calheiros do PMDB, dos demos e belzebus, o antijogo plutoplumado dos tucanos, de uma república presidencialista de constituição parlamentarista. Sei que já começa tudo errado. E acaba ainda mais errado. Para júbilo de jagunços jubilados e Janaínas e joices jactantes. Para fausto de olavos e lobos em peles de cabrestos.

Mas Temer a quem? Malvado Favorito Parte 2?

Dilma não soube presidir o Brasil. E nem os conselhos em que participou. Nem o partido que desgovernou. O pior legado de Lula foi ela. Acredito e torço para que nossa primeira mulher tenha sido eleita não apenas por ser mulher. Mas o que Dilma teve de melhor foi ser mulher. Infelizmente, apenas isso. Nem a própria liberdade para a Justiça, MP e PF investigarem o que já levantaram. Com ou sem isenção. Com ou sem PSDB na mira de Moro.

Nem o mais petelho (e são muitos) consegue realmente defendê-la. Nem o Fla-Flu entre mortadelas X coxinhas consegue realmente achar argumentos a favor da chapa Dilma-Temer.

Dilma foi tão má presidente que conseguiu a proeza de fazer com que exista realmente gente feliz por Michel Temer assumir o país. Mi-chel-Te-mer!
Os 54 milhões de trezes no segundo turno ficaram a ver um TItanic de prepotência bater num iceberg de cinismo com verniz “republicano”. O eufemismo azevedo e aziago para o que há de pior em conservadorismo.

Golpeados do poder, torço pra que petistas de urna (eu), petistas de carteirinha, petelhos de botecos, petralhas (SIC) e patrulheiros da Verdade Absoluta façam mea culpa como eu tento fazer por tudo que votei. E até pelo que não votei.

Tudo tem volta. Nem todos têm voto.

Rezo para os que que podem um dia assumir essa bagaça que façam direito um novo país. Melhor do que está. E não ainda pior do que um governo Temer. O PMDB nunca enganou como o PSDB. Deles não se esperava nada além do que fizeram. Mas do PT, companheiros, honestamente, eu ao menos esperava algo diferente, e melhor do que ser socorrido por um parlamentar para lamentar do Maranhão. Jamais nada contra o eleitor maranhense. Mas o Brasil não pode mais confiar no fio do bigode de Maranhão. Como o eleitor, infelizmente, só pode voltar a acreditar no PT que um dia foi oposição. Não o que conseguiu desfazer o que fez. Golpeado ou não.

Espero apenas que Michel não nos golpeie mais uma vez. E espero de fígado e coração que não mande cartinha pra nós.

Mas eu espero mesmo é um Bessias.

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