Defesa prévia de Andres Sanches por ‘Lava-Jato” demonstra desespero e não convence

O deputado federal Andres Sanches (PT), responsável, pelo Corinthians (apesar de, espertamente, não ter assinado um documento sequer), não apenas pela obra do estádio em Itaquera, mas também pelos negócios circulantes, antes, durante e depois de concretizada, utilizou-se da revista “Isto É” para fazer-se de vítima nas investigações da operação “Lava-Jato”.
“Estão querendo incluir de qualquer jeito, por causa de minha amizade com o Lula. E eu quero que ponham. Quero que o estádio vá para Lava Jato. Investiguem. Me chamem e vou falar tudo. Dá um Google em 2009, 2010, e veja quanto falavam que custava para botar os dutos da Petrobras no Estádio do Corinthians para ter a Copa do Mundo. 60 milhões de reais, 80 milhões. Sabe quanto foi? Apenas R$ 8,8 milhões. Tem contrato”
Em verdade, Sanches, bem informado dos bastidores, sabe que não apenas ele, mas também o “Fielzão”, já estão sendo investigados pela Polícia Federal, e não, como tenta deixar a entender, seriam incluidos por iniciativa do deputado, que foge da Justiça como o diabo da cruz.
Basta verificar seus procedimentos nos inquéritos do qual é réu, tanto no TRE-SP quanto no STF, com diversos subterfúgios para atrasar os casos.
Nada tem a ver, também, a verificação da “Lava-Jato”, com a amizade de Lula com Andres (em verdade, relação política), até porque o ex-presidente, apesar de inserir a Odebrecht na obra, pouco interferiu em sua execução.
Em verdade, o grande foco da investigação é a relação do executivo da construtora, Alexandrino Alencar, preso, recentemente, por corrupção, gestor da obra em Itaquera pelo lado da construtora, com Andres Sanches e sua família, com quem mantém relação comercial há algumas décadas.
“Minha conta está aberta, sigilo telefônico. Vivemos num País de hipócritas. Estou muito triste. Eu não estou inocentando Lula, não. Mas o estádio foi o mais barato do Brasil”
A afirmação destacada acima, trata-se, por razões óbvias, de bravata, não apenas porque Sanches jamais abriu, oficialmente, sigilo de nenhuma de suas operações (Relatório da Receita Federal, publicado neste blog, demonstra que, ao contrário, sempre tentou esconder, inclusive em nome de “laranjas”), como também, um estádio, orçado em R$ 350 milhões (ata de reunião do Conselho do Corinthians comprova a informação), ter custado R$ 1,2 bilhão, não se trata, propriamente, de uma execução ‘barata”.
“Mas querem escândalo e o Andrés vai ter de depor. Falavam que o estádio era de graça e agora o clube não consegue terminar pagar”
É fato, e o deputado demonstra preocupação: “o Andres vai ter que depor”, mas sua afirmação de que falavam que “o estádio era de graça” e que agora “o clube não consegue pagar”, precisa ser melhor explicada.
“De graça”, significa que o acordo assinado não corresponde à arrecadação plausível do Corinthians, somados todos os períodos de sua história, o que implica em previsão de calote, a não ser que os termos contratuais, com anuência de todas as partes, sejam substancialmente alterados.
“O clube não consegue pagar” está inserido nesse contexto, acrescido de diversas mentiras e devaneios, jogados a esmo para a opinião pública, que, de fato, eram os únicos “garantidores” de pagamento da obra pelo Corinthians (ou seja, não existia garantia): “naming-rights”, camarotes, etc.
O torcedor e associado do Corinthians pode esperar por dias turbulentos, em que, deseja-se, ao menos, que o clube seja, apesar das inevitáveis consequencias, passado a limpo pela Polícia Federal, com a exposição pública daqueles que dele possam ter se utilizado para cometer crimes.
