Desembargadores do Corinthians omitem-se sobre as denúncias de pagamento indevido ao filho de Lula

“Por enquanto, só temos uma notícia de jornal, não temos nenhum documento que justifique uma ação. Não posso me envolver em questões administrativas, já pensou se eu fosse verificar todas as contratações do clube?”
O presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, o desembargador Guilherme Strenger (TJ-SP) com a declaração acima, concedida a Ricardo Perrone, do UOL, para explicar a falta de ação do órgão após as denúncias de que o filho do ex-presidente Lula, amparado por Andres Sanches, recebeu R$ 500 mil a pretexto de prestar serviços que não executou no clube, exemplifica bem as razões das coisas acontecerem sempre com nebulosidade no Parque São Jorge.
Em troca de “ficar de bem” com a gestão, gente capacitada (raros no atual conselho alvinegro) se faz de incompetente, não se sabe por promiscuidade, medo ou pura malandragem.
Afinal, não é função do conselheiro “verificar todas as contratações do clube” ou, pelo menos, as mais importantes ?
No Corinthians, ao menos dois dos mais expressivos nomes do TJ-SP, Strenger e Ademir Benedito comportam-se como aliados de uma gestão marcada por indiciamentos criminais, denuncias, graves, de desvios de conduta no departamento de futebol, além de contas e procedimentos imprecisos (nunca auditados) na construção do estádio em Itaquera.
Parecem até sentirem-se bem quando ao lado dessa gente, conforme comprovam declarações e fotografias de bastidores.
Será que agem com a mesma timidez no exercício de suas funções profissionais, deixando de lado a Justiça para atuar pelos interesses da política ?
Faz-se necessário, nos dias que estão por vir, em que se aguarda posicionamento oficial do ex-vice de finanças, Raul Corrêa da Silva, por obrigação estatutária, ao lado do ex-presidente e agora deputado pelo PT, Andres Sanches, responsável pelo pagamento a Lulinha (se de fato contratado pelo Corinthians), observar o comportamento dos magistrados no Parque São Jorge (em que devem receber manifestações de cobranças à diretoria sobre esclarecimentos da questão) para evitar que os desejos de defender àqueles que infelicitam o clube há algum tempo sobreponha-se perante a necessidade de proteger os caixas alvinegros de saques e procedimentos incorretos.
A grande questão: se o Corinthians é responsável pelo pagamento, o fez de maneira suspeita (sem a comprovação do serviço, segundo o responsável pelo marketing, à época, Luis Paulo Rosenberg), mas, em não sendo, terá que se explicar, talvez até à “Lava-Jato”, da Polícia Federal, as razões de acobertamentos ou silêncios de procedimentos que podem envolver, até, receitas do estádio em Itaquera.
Qualquer das atitudes demonstram a inconfiabilidade dos gestores do clube, que, recentemente, até indiciados foram por crimes fiscais cometidos no exercício de seus cargos, no Parque São Jorge.
