Del Nero chuta traseiros de invertebrados para se manter no poder da CBF

Ontem, em nova manobra para se manter no poder, Marco Polo Del Nero reassumiu o cargo de presidente da CBF (deverá permanecer poucos dias), no intuíto de empossar, na sequencia, sua nova marionete, que atende pela alcunha de Coronel Nunes, vice mais velho da entidade.
Antes, porém, precisou chutar dois traseiros: do então presidente interino, o deputado Marcus Vicente (PP-ES) e do diretor de comunicações, Fernando Mello (Ex-MSI), ambos, cada vez mais invertebrados.
Vicente foi quem passou por maior constrangimento.
Enquanto Mello saia de fininho da entidade, o parlamentar foi obrigado, ainda, a declarar, em vídeo (publicado na CBF TV), de que tudo (inclusiva a data de saída) havia sido previamente combinado com Del Nero.
Evidentemente, não é verdade.
Confira abaixo as declarações constrangedoras de Marcus Vicente, quando de sua saída, e (logo abaixo do vídeo) em coluna publicada na FOLHA, dias após a sua posse, falando sobre projetos de mudanças que ambicionava introduzir na Casa Bandida:
05 de janeiro de 2016
13 de dezembro de 2015 (publicado na FOLHA)
O FUTEBOL BRASILEIRO VAI MUDAR
Por MARCUS VICENTE
A derrota para a Alemanha na semifinal da Copa de 2014 expôs ao mundo o perigoso estágio de paralisia, letargia e atraso do futebol brasileiro. Nos impôs a busca urgente de caminhos que devolvam à nossa seleção a primazia da genialidade e a exclusividade da arte ao jogar o mais belo e completo dos esportes. Afinal, futebol é arte, é gênio e é sinônimo de Brasil.
Não se troca governo, não se exorciza os fantasmas do esporte nem se conserta as mazelas de gestões infelizes atropelando leis e ritos. Agir assim é ilegal e ilegítimo, tanto na política quanto no futebol. Fora das regras, tudo é jogo sujo.
O futebol brasileiro mudará a partir da base, representada por centenas de ligas amadoras que sustentam competições envolventes, pelos clubes e pelas federações estaduais. Modernizaremos a gestão da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) em quatro eixos.
O primeiro é intensificar a capacitação de treinadores, preparadores físicos, supervisores e dirigentes de clubes e federações, processo que já iniciamos.
Em segundo lugar, priorizar a capacitação e o treinamento do quadro de árbitros e assistentes, seguindo com rigor as normas da Fifa.
O terceiro eixo é criar os campeonatos brasileiros sub-15 e sub-17 e o Brasileiro sub-20 de seleções estaduais. Isso assegura as “certidões de nascimento” dos atletas na base e fortalece ligas amadoras, clubes e federações.
E em quarto lugar, internacionalizar, de fato, o futebol brasileiro. Transformar nossos torneios em produtos atrativos para o mercado internacional dará nova fonte de recursos para os clubes.
A final da Major League Soccer (MLS), a principal liga de futebol dos EUA, foi transmitida para cem países. Há quatro anos a MLS pagava a quem desejasse transmitir seus jogos. Em 2016 as transmissões da liga americana renderão US$ 1 bilhão –algo em torno de R$ 3,9 bilhões. Já nossos clubes penam para fechar suas contas, honrar contratos, investir na base e rolar dívidas.
Ter clubes fortes, com melhores elencos, fortalece as federações e atrai público. Vender as competições brasileiras para o exterior gerará novos recursos que terão de ser revertidos integralmente para os clubes que disputam os campeonatos de cada série.
Bem gerido, o futebol é um grande e lucrativo negócio. Nos EUA, os empreendimentos que orbitam em torno dele representam 3,5% do Produto Interno Bruto. Aqui, o futebol não representa sequer 0,25% do PIB. Ainda assim, temos cerca de 300 mil pessoas envolvidas diretamente com ele. O peso de nossa atividade na geração de riquezas é ínfimo ante seu potencial.
Profissionalizaremos o espetáculo dentro e fora de campo. Não é possível fazer isso sem restaurar a força e o prestígio dos clubes, sem investir na base e sem fortalecer as nossas federações.
Sem olhar para os adolescentes que batem nas portas dos clubes aos 13 anos, sem lhes dar a “certidão de nascimento” para o mundo do futebol já ali, sem federá-los aos 16 anos, seguiremos assistindo ao êxodo de talentos para centros em que são tratados com mais profissionalismo e onde os contratos são mais rentáveis.
O tripé transparência, gestão e resultados está em implantação na CBF e será a pedra de toque do novo futebol brasileiro. Faremos isso respeitando os limites que a interinidade me impõe.
Mergulhei de cabeça no planejamento, nos problemas, nas contas e nos contratos do futebol brasileiro. Críticas virão e serão ouvidas, porém não dialogaremos com preconceitos nem com interlocutores que defendam a quebra de princípios legais que regem a vida associativa.
Iremos à base buscar o sopro de genialidade e de renovação que nos trarão a tão sonhada sexta estrela, mudando de vez o perfil do futebol brasileiro.
Queremos fazer do Brasil, novamente, uma constelação do esporte no mundo.
MARCUS VICENTE, 61, é presidente interino da CBF – Confederação Brasileira de Futebol e deputado federal licenciado (PP-ES)
