Sobre as investigações dos atos de Francisco Manssur e Gustavo Oliveira no São Paulo

O São Paulo investiga, através de seu Conselho Deliberativo, denúncia contra dois de seus dirigentes, Francisco Manssur e Gustavo Oliveira, que supostamente estariam se beneficiando com transações do empresário de jogadores Eduardo Uram (ativo no clube desde os anos 90).
Há, porém, de se analisar o caso em todo o contexto, inclusive do históricos de vida dos investigados.
Antes disso, vale lembrar que o denunciante, o delegado federal José Marcelo Previtalli, além de ligado a Carlos Miguel Aidar (que saiu do clube acusado de corrupção), esteve envolvido, recentemente, em tentativa de burlar o estatuto Tricolor, sendo impedido pela Justiça de fazê-lo, conforme revelamos, em 24 de março de 2014.
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Com relação a Manssur e Gustavo, que explicam, “nunca terem advogado para Uram em ações conflitantes contra o Tricolor”, faz-se necessárias algumas colocações:
– Não há, na vida pregressa de ambos, qualquer indício de atitude ilícita no futebol, nem em suas vidas particulares.
– Manssur sempre trabalhou, inclusive, no combate à corrupção no esporte, como membro “Instituto Gol Brasil”.
– Apesar deste jornalista não acreditar que sejam corruptos, ambos, de fato, precisam ser investigados, até para que o resultado final dos procedimentos sirva para comprovar as respectivas inocências
– Há razões, porém, para desconfianças.
– No caso de Manssur, os documentos expostos no Conselho, nada comprovam (de ilícito), apesar de que, por se tratar de dirigente de clube de futebol, no mínimo, tenha sido imprudente (consigo próprio) ao aceitar advogar para empresário com negócios frequentes no Tricolor (mesmo não conflitando nas ações).
É o princípio, num submundo esportivo, de não apenas ser honesto, mas da necessidade, também, de parecer honesto.
– No caso de Gustavo, oriundo de linhagem nobre (filho do Dr. Sócrates e sobrinho de Raí), há o desconforto de, como dirigente, supostamente receber (amparado em clausula contratual) percentual sobre negócios de jogadores (informação de conselheiros).
Apesar de, ao menos, o negócio ser às claras, em sendo verdadeira, a prática, mesmo legal, não é recomendável, e dá margem a interpretações várias, entre as quais de favorecimento ao referido empresário (ou a outros).
Para o bem do futebol, há a necessidade que dirigentes honestos (raridade) permaneçam atuando, preenchendo espaços que poderiam estar sendo ocupados por corruptos, razão pela qual este jornalista espera, ao final das apurações, não ser surpreendido.
E que os investigados (pessoas de histórico de vida, até então, irrepreensível) aprendam a dura lição de que não há espaço para dúvidas (todas precisam ser esclarecidas) num ambiente marcado pela nocividade de costumes e atitudes.
