O buraco do Corinthians

Palmeiras e a política da areia movediça

(Trecho da Coluna de PVC, na FOLHA)

“A crise financeira explica por que não haverá a renovação e é bom explicar por que o Corinthians passou a conviver com a falta de dinheiro.

A maior explicação deste ano foi a contratação de três reservas cujos salários, com encargos, tiram R$ 2 milhões dos cofres todo mês: Cristian, Vagner Love e Edu Dracena. Eles representam R$ 24 milhões por ano.

A dívida alcançou R$ 313 milhões, sem contar o estádio, que terá prestações mensais de R$ 5 milhões entre julho e novembro de 2016. Nesse período, serão R$ 70 milhões a pagar, exatamente o valor arrecadado com a bilheteria em Itaquera desde a inauguração.

Se este valor estivesse na conta do futebol, a situação econômica talvez não inviabilizasse a permanência do centroavante.

Mas é bom lembrar que o peruano pede dinheiro demais, com ou sem os R$ 70 milhões da bilheteria em caixa. Algumas coisas mudaram nos últimos três anos, desde o período em que o Corinthians se orgulhava de ter as contas em dia e trazia no avião a taça de campeão mundial.

Uma delas é a situação do país, que dificulta empresas de todos os setores –é natural que os clubes também sofram. Outra foi gastar demais com jogadores médios. Rodriguinho, Ibson, Pato e Maldonado são exemplos.

Perder Guerrero e Émerson não seria tão grave se houvesse reposição nas divisões de base. Falta pouco para ter o projeto do centro de treinamento da base funcionando lado a lado com os profissionais, com o departamento de futebol totalmente integrado.

Como isso demorou mais do que se previu em 2012, não há um centroavante jovem preparado nos últimos meses para vestir a camisa 9.

Nem Vagner Love parece ser esse cara. Desde sua chegada, não fez nenhuma boa partida, o que tem a ver com sua atual condição física, mas também com a característica, que não se adapta ao sistema tático de Tite, como atacante isolado.”

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