Corinthians: crônica do vexame anunciado

corinthians e guarani

As desmoralizantes derrotas para o fraquíssimo Guarani/PAR, que selaram a eliminação do Corinthians da Copa Libertadores da América, são resultantes de uma sucessão de equívocos da atual gestão alvinegra, alguns por incompetência, outros fruto de pura “malandragem”.

A herança de elenco (da administração Mario Gobbi), aquém do que se espera para um clube com o porte, história e arrecadação do Timão, precisava ser reforçada com um mínimo de critério.

Não foi o que aconteceu.

Antes mesmo de assumir a presidência, ainda em período eleitoral, Roberto “da Nova” Andrade e o mentor, Andres Sanches, desandaram a contratar jogadores caros, que sequer eram aproveitados em suas equipes.

Hoje, estes se juntaram aos que lá estavam, onerando uma folha de pagamento que já se apresentava impossível de ser administrada, sem o retorno técnico esperado, contrariando até a competente comissão técnica, obrigada a trabalhar com o material inadequado.

Para piorar a situação, logo após vencer as eleições, a nova diretoria indicou dois novatos para a gestão do principal departamento do clube, o de futebol, responsável pela maior captação de recursos, e que, por razões obvias, não pode ser laboratório de experiências.

Com a eliminação da Libertadores, o clube perdeu, diretamente, valores próximos a R$ 30 milhões (prêmios e renda prevista).

Indiretamente, o montante torna-se incalculável.

Não bastasse o currículo complicado dos indicados ao Departamento de Futebol (Sergio Janikian enfrenta contenda jurídica criminal por diversos delitos, entre os quais lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Edu “Gaguinho” é membro da facção criminosa “Gaviões da Fiel” e acusado de atuação em intermediação de “acertos” para liberação de criminosos ligados às ditas “torcidas”), estes, ainda, se indispuseram com os atletas, gerando um clima impróprio para a realização de trabalhos importantes.

Por trás de tudo, no fictício cargo de Superintendente de Futebol, o esperto Deputado Federal Andres Sanches (PT), quando as coisas davam certo no gramado, levava as glórias no lugar dos noviços (mesmo sem nada fazer), e, agora, com o barco afundando, certamente saberá, como sempre aconteceu, escolher os culpados ideais para a forca.

Este quadro deplorável, alavancado (ou prejudicado) pela grave crise financeira que obriga o clube, mensalmente, a tomar empréstimo e adiantar recebíveis (cotas de tv, patrocínio, etc.), apenas para minimizar juros sobre juros, sem reduzir um centavo das dívidas principais (que só aumentaram desde 2007), levando a um atraso de salários de atletas (por clara falta de planejamento e irresponsabilidade diretiva) e até a prática de crime fiscal (com dirigentes indiciados criminalmente), é fruto de anos de gastança desmedida com o único intuito de iludir torcedores e associados para manutenção do mesmo grupo no poder.

Claro, uma hora a conta iria chegar.

Ademais, não apenas no futebol, mas um clube do porte do Corinthians não pode ser tocado como se fosse banquinha de Jogo de Bicho (profissão do vice-presidente), por um presidente que tem como principal experiência de trabalho revender carros usados em loja de automóveis, e safar-se, impunemente, da irresponsabilidade.

Culpar jogadores e comissão técnica (talvez a melhor do Brasil) pelo fracasso, sem contextualizar todo o sofrimento pelo que tem passado, seja pelo atraso de vencimentos, passando pela reposição inadequada de peças no elenco, além do desconforto de submeterem-se ao comando de dirigentes despreparados, desmoralizados (pelas fichas criminais) e que, ainda assim, conseguem arrumar confusão no departamento é querer tapar os olhos para a obviedade do fracasso, que, por razões evidentes, era absolutamente previsível.

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