A final de Robinho e Valdivia
Santos e Palmeiras entram em campo, logo mais, para decidir um Campeonato Paulista, num embate habitual nos anos 60, mas que tornou-se, por diversas razões, cada vez mais raro nos dias atuais.
Os craques minguaram, os objetivos maiores mudaram, mas é inegável o charme que cerca o único clássico em que, nos tempos áureos, Pelé entrava em campo sem a certeza de vitória.
Hoje vencer é muito importante para o Palmeiras, que busca restabelecer a autoestima subjugada por gestões desastrosas que se seguiram na última década.
Para o Peixe, vale pela rivalidade.
Dentro de campo, os jogadores mais badalados, inegavelmente, nem sempre por merecimento, são Robinho e Valdivia, ambos próximos do crepúsculo da carreira.
É ai que o Santos leva vantagem.
Robinho surgiu para o futebol como “novo Pelé”, título que foi se esvaindo após temporadas corretas, mas não brilhantes (como esperado), na Europa.
Valdivia sempre foi enganador, nada mais do que isso, o que pode explicar, talvez, muitos dos erros cometidos pelo Palmeiras na formação de elenco nos últimos anos.
Para sorte do alviverde, enfim um treinador, Oswaldo de Oliveira, entendeu a necessidade de formar uma equipe com sistema de jogo independente da escalação (cada vez mais rara) do sempre lesionado chileno.
Ou seja, se antes a ausência de Valdivia atrapalhava, hoje sequer é sentida, e, mesmo a presença, se não acompanhada de bom futebol, pode ser resolvida com uma antes impensável substituição.
Espera-se, pela motivação da final, que ambos, Robinho e Valdivia, possam, pelo torcedor que estará no estádio, dar o máximo possível do que sabem dentro de campo, transformando um jogo em que o Santos leva algum favoritismo (apesar da vantagem palestrina) num embate digno de um Paulistão do passado, época em que a cartolagem não havia reduzido o torneio à tristeza que é observada nos dias atuais.
De Robinho há a certeza, se não de bom futebol, da entrega pela equipe, de Valdivia, o que vier (se vier) ainda é uma grande incógnita.

