Fielzão: o estádio de R$1,2 bilhão, as mentiras do Corinthians e a Odebrecht
Desde 2013, o leitor desse espaço, sempre bem informado, após ler uma série de reportagens nomeadas como “Golpe de Estádio”, sabia que diversos aditamentos, todos assinados pelo presidente Mario Gobbi, mas negociados por Andres Sanches (que, espertamente, se recusou a assiná-los) elevaram os valores a serem pagos à Odebrecht pela construção do “Fielzão” a patamares próximos de R$ 1,2 bilhão.
Hoje, o jornalista Rodrigo Mattos confirmou a informação, com exposição de documentos, no UOL.
O clube, sempre que questionado, mentiu, batendo o pé em aproximados R$ 900 mil.
Assim como mentiram todos os dirigentes, à época com Andres Sanches na presidência, que, em reunião do Conselho Deliberativo, aprovaram a construção de uma Arena (com custo máximo de R$ 500 milhões), mas entregaram outra, mais onerosa, que sequer tinha a ver com o projeto deferido pelo órgão.
Nos anos subsequentes, durante as obras, questionados, Sanches, Raul Corrêa da Silva, Gobbi e demais membros da cúpula “Renovação e Transparência, além de de desmentir as postagens que davam conta da existência de aditivos e a consequente elevação da fatura final, diziam, em tom de deboche: “o clube não vai colocar um tostão… R$ 420 milhões de CIDs, R$ 400 milhões do BNDES, mais R$ 400 milhões de naming-rights e ainda vai sobrar dinheiro…”.
O tempo passou e a necessidade, colocada em contrato por exigência da Odebrecht, e aceita por Sanches, de direcionar a bilheteria das partidas, além doutras arrecadações provenientes da Arena, sem contar a cessão de terreno, para quitar a pendência com a construtora, indicavam que as coisas não estavam acontecendo conforme divulgado oficialmente.
Ficam cada vez mais claras as razões pela qual, até os dias de hoje, o clube não demonstrou a seus conselheiros as contas detalhadas da construção, nem contestou a construtora sobre nenhum valor apresentado, e cobrado.
Parte da verdade surgiu apenas pelo incessante trabalho da imprensa (aquela que foge do “oba-oba”), e talvez o restante, acessível apenas com quebras de sigilos, da construtora e de dirigentes alvinegros, apareça com o advento da operação “Lava-Jato”, com a Odebrecht, que deverá ter as operações escancaradas, enterrada até o pescoço.

