Cristian, Corinthians, a imprensa e cinco anos de Europa perdidos
O jogador Cristian, atleta não mais do que mediano, aproveitou da onda positiva gerada pelas conquistas dos campeonatos Paulista e Copa do Brasil, em tempos de Ronaldo “Fenômeno”, para conseguir boa transferência para a Turquia, um centro menor, mas considerado porta de entrada para outros voos na Europa.
Antes, porém, virou “ídolo’ da torcida do Corinthians ao comemorar um gol contra o rival São Paulo, ofendendo com gestos obscenos o torcedor adversário.
Cinco anos de passaram e Cristian retornou ainda menos inteligente.
Uma proeza.
Ao retomar o gesto pelo qual havia sido criticado, anos atrás, o jogador, de passagem tímida na Turquia, razão de seu insucesso no Velho Continente, angariou simpatia dos menos providos de intelecto, cada vez mais distantes dos estádios, desagradando aos que dele esperam comportamento adequado ao vestir camisa tão importante, como é a do Corinthians.
Não se sabe se o jogador terá capacidade, agora mais velho, de desempenhar no Corinthians o futebol de outrora – na Europa não o fez – apesar de que sua ligação com o empresário Carlos Leite possa justificar a negociação, levando-se em consideração o estranho aporte de R$ 2 milhões realizado pelo agente no clube em dezembro, tratado, até então, como empréstimo.
Se o histórico de Cristian não indica atitudes inteligentes, espera-se, do clube, no mínimo sobriedade, mas não foi o que ocorreu, também ontem, após o anuncio da volta do jogador.
A Diretoria, extrapolando o saudável hábito da rivalidade, publicou em suas mídias sociais o vídeo do gesto obsceno de Cristian contra o São Paulo, exaltando, em vez de condenando – como dirigentes sérios procederiam – o lamentável episódio.
Não é condenável, como muitos torcedores reclamaram durante o dia, a exposição pela mídia do ato que personifica a deficiência intelectual do jogador, mas sim fazê-lo com exaltação – como ocorreu na maioria dos casos – em substituição a necessária atuação crítica, pelos óbvios desdobramentos que surgirão, ainda mais em tempos de “organizadas”.
Mas cada qual, dentro da imprescindível liberdade de imprensa, responde a sua própria consciência – e ao público – por suas decisões.
Quanto a Cristian, que, tudo indica, sequer tem noção da própria imbecilidade, cabe lamentar os cinco anos de Europa – que nunca mais voltarão – jogados no cesto de lixo de sua própria mediocridade.

