Saiba como o Corinthians “doou” o jogador Malcom para conselheiro do clube
Não é mais segredo para o torcedor do Corinthians que os atletas do clube estão fatiados entre diversos empresários, dois deles, Carlos Leite e Fernando Garcia, com o pedaços, digamos, mais suculentos do bolo.
Entre os agenciados, está o atacante Malcom.
Mas não estava, pelo menos até maio de 2013.
Documentos oficiais, do Departamento de Registros da CBF, mostram que desde o dia 30/10/2009, Malcon foi registrado como jogador “amador” do Corinthians, com 100% de seus direitos pertencentes ao clube.
Porém, no dia 02 de maio de 2013, quando já se sabia que o atleta seria relacionado para disputar a Copa São Paulo de Juniores, vitrine dos sonhos dos empresários, o Corinthians, que antes pagava R$ 3 mil mensais ao atleta como ajuda de custo, registrou-o como profissional, para que pudesse, oficialmente, pagar-lhe o salário de R$ 10 mil.
O contrato é valido até 02 de maio de 2016.
Na mesma data, no entanto, cedeu 30% dos direitos do jogador ao conselheiro do clube Fernando Garcia, que na ocasião cobrava dívida de empréstimo que havia realizado ao Timão, à margem do conhecimento do Conselho, mas com anuência do presidente Mario Gobbi.
Malcom virou sensação instantânea ao ser alçado à equipe principal do clube, há um mês, quando marcou seu primeiro e único gol na equipe, apesar de já ter disputado 16 jogos.
Foi o suficiente para se falar em aumento de salário e migração de novo percentual do atleta para o grupo representado por Garcia.
Até o presente momento, a operação não aconteceu, e Malcom ainda recebe os mesmos R$ 10 mil mensais.
É, portanto, preciso ficar atento para os procedimentos que estão, desde já, sendo sugeridos pela mídia, com o auxílio de notas plantadas de interesse fictícios de clubes estrangeiros pelo atleta.
Não há razão técnica, apenas empresarial, para que um atleta do clube, com contrato vigente até 2016, receba aumento de salário, tendo assinalado apenas um gol no profissional, e com a clara necessidade de ainda se firmar no elenco.
Muito menos para que novos percentuais sejam repassados a quem quer que seja, ainda mais a um conselheiro alvinegro, sendo que cabe ao Corinthians o pagamento integral do salário do atleta, quando, em tese, o “dono” dos 30% deveria contribuir, proporcionalmente, com os vencimentos.
Mas, assim como ocorre noutros clubes espalhados pelo país, os ‘espertalhões” colocam o jogador na vitrine, usufruem da estrutura, da mídia e demais benefícios, nada pagam e ainda lucram, milhões, nas revendas, com a única obrigação de dividir as receitas com os dirigentes que lhes facilitam a vida.
Por muito menos, os membros que hoje fazem parte da gestão no Parque São Jorge expulsaram o ex-presidente Alberto Dualib do Corinthians, aparentemente, para aprimorar e profissionalizar, as práticas antes denunciadas..
EM TEMPO: o diretor de futebol do Corinthians, à época da “doação” de Maicom para o conselheiro Fernando Garcia, era Roberto “da Nova” Andrade, candidato a presidência alvinegra, que, recentemente, foi tratado como “ladrão”, publicamente, pelo próprio empresário.


