Gobbi dissimulou ao falar do negócio “Fielzão” e esqueceu ter contratado mais de 100 jogadores na gestão que criticou
As fortes declarações do presidente do Corinthians, delegado Mario Gobbi, dando conta da situação pré-falimentar do clube, detonando a gestão anterior, de Andres Sanches e reclamando do negócio “Fielzão” repercutiram durante todo o dia de ontem, no Parque São Jorge.
Porém, faz-se necessário esclarecer alguns pontos que o dirigente, convenientemente, esqueceu de explicar.
Gobbi diz ter sido vítima de uma “bola de neve’ financeira da diretoria anterior, o que, de fato, é verdade, porém esqueceu de dizer que fez parte da gestão que criticou, ocupando cargo de Vice-Presidente de Futebol, período em que o clube contratou mais de 100 jogadores.
Muitos deles, quando não encostados, estão emprestados a outras equipes, com salários pagos pelos caixas alvinegros.
Ou seja, o delegado foi um dos autores intelectuais da dívida que herdou.
Não contente, Gobbi trouxe de volta ao clube, já como presidente, o treinador que o ajudou a inchar o departamento de “mercadorias” de empresários.
Quando deveria estar executando seu atual discurso de “contenção de despesas”, resolveu contratar Alexandre Pato – que tratou como erro – mas rendeu aos intermediários R$ 15 milhões em comissões.
Sem contar outros negócios absolutamente nebulosos, não apenas no futebol, mas, recentemente, ao comprometer a próxima gestão, adiantando receita da televisão na tentativa de livrar quatro dirigentes alvinegros da condenação criminal.
Aliás, sobre esse assunto, Gobbi mentiu na Gazeta ao dizer que o processo foi encerrado com a entrada do clube no REFIS, e que a dívida estava toda quitada.
Não é verdade.
O processo criminal contra Andres Sanches, Roberto “da Nova” Andrade, André Negão e Raul Corrêa da Silva continua, e a dívida, que antes era de R$ 100 milhões, ampliou-se, com o refinanciamento, para R$ 400 milhões.
Outra situação interessante foi o fato de criticar termos do acordo fechado com a construtora e o Fundo gerido pela BRL TRUST, mais precisamente o fato das receitas do futebol, entre elas a renda das partidas, serem integralmente direcionadas a abater a dívida do “Fielzão”.
Porém, em todos os documentos do contrato, Mario Gobbi assinou como “de acordo”.assim como rubricou, também, o folclórico “Relatório de Sustentabilidade” do Corinthians, que tratava o caos financeiro, acusado agora, como se o clube estivesse no “País das Maravilhas”.
Roberto “da Nova” Andrade é outro que também tem assinatura em alguns papeis, diferentemente de Andres Sanches, que, safo, fez as tratativas, mas não rubricou, nem colocou o dedão, numa folha sequer do compromisso.
O negócio, terrível, tem clausulas que indicam, por exemplo:
– a marca “Corinthians”, nome e símbolo, inclusive, será explorada pela construtora por 30 anos.
– se o clube não quitar todas as suas pendências no referido prazo (empréstimo da Odebrecht, outros empréstimos bancários, BNDES, etc.), o fundo que administra o estádio será dono do “Fielzão”.
– Toda a bilheteria dos jogos do Corinthians pertencerá ao fundo gerido pela Odebrecht, com o Corinthians nada recebendo e sendo ainda obrigado, por contrato, a realizar 90% de suas partidas como mandante no “Fielzão”.
– Toda a receita com placas, publicidade, cadeiras, lojas e até “naming rights” são de propriedade da Odebrecht, por intermédio do fundo já citado, nos próximos 30 anos.
– Os direitos sobre a utilização do terreno de Itaquera foram repassados nos mesmo moldes acima, com o agravante da cessão do terreno pela Prefeitura ao Corinthians findar também neste prazo, podendo então, em caso muito provável do clube não honrar suas dívidas perder não apenas o “Fielzão”, mas também o espaço em que foi construído.
Ou seja, um verdadeiro “Golpe de Estádio”, publicado em primeira mão por este espaço, e levado ao clube para discussão por abnegados associados, que, antes achincalhados, hoje tem as informações confirmadas pelo próprio mandatário alvinegro.
ASSINATURA DE MARIO GOBBI NO ACORDO DO “FIELZÃO”


