Andres Sanches disse que dívida de R$ 70 milhões era “impagável”, “irresponsável” e vítima de “violenta má gestão”
Em 17 de abril de 2007, o ex-presidente do Corinthians, Andres Sanches, em nome do grupo “Renovação e Transparência”, que hoje ocupa o poder alvinegro, enviou carta a todos os associados e conselheiros, com alarmante acusação sobre as contas do clube, que, à época, devia R$ 70 milhões.
Nela, especificava que uma comissão formada por especialistas em finanças, entre eles Raul Corrêa da Silva, após avaliar as pendências, qualificaram, segundo suas palavras, o saldo devedor:
“E a conclusão trágica a que se chega é a de que o Corinthians foi vítima de VIOLENTA MÁ GESTÃO, que culminou no absurdo e IMPAGÁVEL deficit de mais de R$ 70 milhões !”
Por consequência, Sanches e seu grupo fazem a seguinte exigência:
“O minucioso trabalho que segue em anexo (…) deixa evidenciada, de forma patente e incontestável, a temeridade, a verdadeira irresponsabilidade que significará aprovar as contas da diretoria referentes ao exercício de 2006.”
Os anos se passaram, o grupo que apedrejava a gestão Dualib alcançou o poder e, diferentemente do discurso de outrora, ampliou ainda mais o desastre financeiro, com valores que, se na época consideravam “impagáveis”, agora beiram a insanidade administrativa.
Em pouco mais de sete anos, a dívida saltou dos R$ 70 milhões, conforme documento assinado por Andres Sanches, para mais de R$ 400 milhões – não inclusos, ainda, o que está por vir das pendências do estádio.
Na última semana, acresceu-se ao caos a exposição de mais R$ 200 milhões em dividas fiscais, que ocasionaram o indiciamento por crime fiscal de quatro dirigentes alvinegros, entre eles Raul Corrêa da Silva, o “auditor” das contas de Dualib, Andres Sanches, que assinou a carta enviada aos associados alvinegros, em 2007, além de André Negão e Roberto “da Nova” Andrade, este almejando a candidatura a presidência alvinegra.
Violenta má gestão ?
Irresponsabilidade ?
A questão é que os mesmos homens, entre eles os subscritos no referido documento, que pediam a não aprovação de contas da gestão Dualib, que em 14 anos de exercício no poder, deixou “impagáveis” R$ 70 milhões em dívidas, não se furtaram a aprovar as da atual gestão, que ultrapassam, e muito, em apenas sete anos, o montante anterior.
Resta saber se as motivações para tamanha flexibilidade de avaliação, em contrapartida da rigidez anterior, limita-se a questões políticas ou se estende a co-participação, seja lá qual for, no que antes era tratado com absoluta “temeridade”.



