Paulo Henrique Ganso e as voltas da vida
(trecho da Coluna de TOSTÃO, na FOLHA)
Ganso tem jogado muito bem, não se limitando a um pequeno espaço pelo centro, onde é mais facilmente marcado. Deveríamos tratá-lo como um bom jogador do presente, que pode evoluir e se tornar, pós-Copa, titular da seleção, em vez de enxergá-lo como uma miragem, um supercraque, o que ele nunca foi, de um passado recente.
A trajetória de Ganso me faz lembrar a de um paciente, quando eu era médico, que passou grande parte da vida em depressão, mesmo sendo tratado por ótimos especialistas. Não estou dizendo que Ganso tem depressão. Um dia, a mulher que ele amava, cansada da tristeza do companheiro, foi embora. Ele entrou em pânico, decidiu mudar de vida, melhorou da depressão e ainda reconquistou a mulher.
Quem sabe o momento em que Ganso não viu seu nome na lista para a Copa, mesmo sabendo que não estaria, tenha sido o gatilho, o susto, o grito, que precisava para reinventar sua carreira? Os seres humanos têm necessidade de algo simbólico, marcante, para internalizar e iniciar um novo ciclo.
