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Blog do Paulinho

50 anos do golpe que maltratou o Brasil

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Por ALBERTO MURRAY NETO

http://albertomurray.wordpress.com

Faz cinquenta anos do golpe militar que inseriu o Brasil em um longo período de ditadura, asquerosa, que até hoje deixa sequelas que são duras de superar. Quem viveu os anos de chumbo sabe bem o que é o tacão da ditadura. Não há “milagre econômico” que justifique um segundo de tortura e cerceamento das liberdades civis. Ditadores devem ser todos jogados no mesmo saco da história. Não há ditador bom.

Um ano antes do golpe, em 1.963, portanto, meu avô, atleta finalista olímpico, Major Sylvio de Magalhães Padilha, havia assumido a presidência do Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”), após ter presidido os Jogos Panamericanos do mesmo ano, realizados em São Paulo. Seu antecessor no COB foi o médico Dr. José Ferreira dos Santos, também membro do Comitê Olímpico Internacional (“COI”), homem honrado e competente, esportista nato, que morreu poucos meses antes da abertura dos Jogos Panamericanos de 1.963. Dr. José Ferreira dos Santos é bisavô do competente jornalista esportivo Paulo Soares, o Amigão, da ESPN Brasil. O vice presidente do Dr. Ferreira dos Santos era o Almirante Atila Ache, que completou seu mandato, até que na nova eleição meu avô foi eleito. O esporte olímpico era feito de gentlemen.

No dia do golpe, em 1.964, meu avô era também vice presidente do Conselho Nacional de Desportos (“CND”), cargo para o qual foi nomeado pelo Presidente João Goulart. O Presidente do CND, também nomeado pelo Presidente Goulart, era um dos grandes amigos do meu avô, Rogê Ferreira, Deputado Federal pelo Partido Socialista Brasileiro. Meu avô e Rogê eram muito ligados pelo esporte e por fortes laços de amizade.

Rogê, Deputado combativo, democrata, entrou na primeira lista de cassações do novo regime. Rogê saiu rapidamente de Brasília D.F. rumo ao aeroporto de Congonhas. Não se sabia ainda o que aconteceria com os políticos cassados. Era momentos de muito terror.

Em solidariedade ao amigo Rogê, meu avô pediu demissão do CND e não aceitou servir ao novo regime.

Quando Rogê, cassado, chegou no aeroporto de Congonhas, meu avô era o único a esperar pelo ex Deputado, não somente para abraça-lo, mas para, se necessário, dar a ele guarida proteção, assim como fez com diversos outros amigos do esporte, militantes políticos de partidos considerados indesejáveis pelos ditadores da época.

A camaradagem dos esportistas não tem ideologias.

Que o Brasil nunca mais tenha que viver ditaduras.

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