O Corinthians, o estádio da Copa e o Morumbi

Por ROQUE CITADINI

(O estádio da Ponte Grande. O primeiro do Corinthians)

Incrivelmente fora de tempo e lugar, o pessoal do Corinthians volta a debater as questões da Copa e de seu  jogo de abertura com polêmicas que estão para lá de resolvidas.

Quando a Fifa anunciou que o Brasil seria sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014, abriu-se uma nova fase para as construções e reformas da infraestrutura de nosso esporte-rei.

Com a Copa, velhos estádios seriam remodelados e novos seriam construídos. Era um caminho claro, igual ao ocorrido em outros países que sediaram o evento deste porte.

Abria-se para o Timão a possibilidade de construir uma nova e moderna Arena.

O vice-presidente Luiz Paulo Rosemberg disse que era contra o clube entrar  nesta “aventura” de construir uma Arena para abrir a Copa. É verdade. Quando compareceu ao Cori com os projetos do Pacaembu e de um estádio menor (30 mil lugares) em Itaquera (ou em outro lugar) sua posição foi clara. Nada de Copa.

Tive -com outros conselheiros- a oportunidade de contestá-lo (está nas Atas) com um argumento simples : ou entrávamos na Copa ou ficaríamos de fora. Suas razões, projeções, “arquitetura financeira” ( que eu nunca levei muita fé) era bom argumento de retórica para professor de economia. Só não batia com a realidade. A Copa -e  só a Copa- atrairia investimentos, empresas, governo (e todas as áreas). Nada mais. Por mais bonito e lúdico que fossem outras sugestões.

Os outros projetos – que também corriam pelo clube- tinham o mesmo defeito: não eram para a Copa. E não teriam apoio e fôlego para tornar-se realidade.

(O velho estádio da Fazendinha, com seus traços tipicamente ingleses)

Na primeira fase da preparação da Copa, o SPFC tentou colocar o Morumbi como o estádio para abrir o evento. Sabia que este era o caminho para uma profunda (e cara, caríssima) reforma do estádio. Num primeiro momento chegou a ter sucesso. Até o presidente Andrés compareceu ( junto com presidente e governador) na solenidade de “inicio” das reformas do Morumbi para a Copa. Foi um grave erro que  deve dar a ele uma forte dose de arrependimento.

Mas o Morumbi é um grande problema para qualquer reforma. Velho, com projeto ruim (e com incríveis falhas) só um túnel com o Federal Reserve poderia bancar uma mudança estrutural.

Neste tsunami de mudanças em nosso futebol, rodaram os estádios de Rosemberg e também outros dois projetos de conselheiros. Tinham o mesmo defeito de origem: não eram para a Copa.

Era claro e cristalino que se a cidade fosse procurar um novo estádio ele só poderia ser o do Corinthians. É o único clube que poderia viabilizar um investimento tão grande.

Sempre ouvi -sem dar muita bola- as fórmulas financeiras que suportavam a construção da Arena Corinthians. Quase nunca vi muita lógica nos números, reiteradamente, apresentados por Luiz Paulo Rosemberg e pelos outros envolvidos no projeto.

( O estádio reformado da Fazendinha.)

É claro que o clube entrará num período de dificuldades financeiras. Terá que pagar o estádio. Mas, e daí?  É o preço para ter uma moderna Arena que abre a Copa e impede um vexame histórico para a cidade.

Por esta razão, qualquer projeto do Corinthians fora da perspectiva da Copa, seria discussão sem rumo e sem fim. E não sairiam do papel.

Também não entro, e nem leio, essas intermináveis matérias jornalisticas que discutem a propriedade, empréstimos, garantias etc sobre a Arena do Timão.

Tudo é pouco relevante.

O importante é que o clube vai ter uma moderna Arena para a Copa e para seu futuro. As dívidas? Ora serão pagas pelo único clube que pode pagar.

Outros estádios que o clube teve, nos seus mais de 100 anos, foram construídos com dificuldades até maiores. É só lembrar da construção dos estádios da Ponte Grande e do Parque são Jorge.

Nem fico discutindo essas fórmulas e projeções.

O importante foi feito. O Corinthians pegou o trem da Copa (tirou o SPFC do banquinho preferencial) e está as portas de completar seu trabalho inicial.

Sem ajuda de governo (além das oferecidas a todas os clubes e empresas) sem mácula, o clube vence uma etapa importante de sua vida.

Seria bom que os envolvidos em outros projetos (dirigentes e conselheiros) entendessem que o carro passou e qualquer discussão apenas abre  espaço para os adversários derrotados nesta luta.

E nada mais.

Arena do Corinthians, que abrirá a Copa de 2014.

EM TEMPO: o blog se contrapõe, democraticamente, a alguns itens da opinião de Roque Citadini, especialmente o “negritado”, concorda com outros, e sabe que o dirigente escreve para defender o clube, sem compromisso com a imparcialidade.

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