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Corinthians: a promessa que Mario Gobbi não pode cumprir

Ontem, no Parque São Jorge, muito se discutiu sobre o desastre da preparação das categorias de base do Corinthians, nos últimos anos.

Além de não revelar sequer um jogador digno de ser citado, os últimos resultados, eliminações vexatórias nos respectivos campeonatos paulistas, além de dupla eliminação na Copa São Paulo, enterraram de vez argumentos mentirosos de dirigentes que tentavam esconder a incompetência num ou outro título esporádico.

Os grandes culpados, falados abertamente nas diversas rodinhas de conselheiros que se formaram no tradicional “senadinho”, são apontados como “gente de Andres Sanches”.

Recentemente, no programa Cartão Verde, da TV Cultura, o comentarista Roberto Rivellino contou que quando de sua passagem como dirigente de futebol no Parque São Jorge, não conseguiu ingressar como deveria na base alvinegra, dizendo ainda que o local era “impenetrável”.

Riva, na verdade, escancarou o que todos no clube estão carecas de saber, mas ninguém, sabe-se lá por que motivo, tem coragem de coibir.

Desde os anos 90, conselheiros de um mesmo grupo, do qual fazem parte não apenas Andres Sanches, mas também os “famosos” André Negão, Mané da Carne, entre outros, infernizam o local, impedindo qualquer tentativa de trabalho sério.

Obrigam dirigentes e treinadores a colocarem seus “apadrinhados” nas equipes, são remunerados, e ainda, em caso de negociação futura exigem percentual sobre as transações.

Evidente que a falta de coragem dos dirigentes do setor em relatar os ocorridos, temerosos de ceifarem-se politicamente dentro do clube, facilita a manutenção de um esquema que há anos impede o Corinthians de revelar jogadores, retirando qualidade de suas equipes e até dinheiro que poderia derivar de negócios lucrativos com jogadores de verdade.

Percebendo a enorme insatisfação que ressurgiu após a Copa São Paulo, Mario Gobbi, presidente do Corinthians, aproveitando-se do clima beligerante de seus apoiadores com o grupo ligado ao ex-presidente, bradou que, nos próximos dias, promoverá uma “limpeza geral” no departamento.

Disse que mandará dezenas de jogadores inaptos embora, reavaliará alguns dirigentes e, por final, expulsará do local àqueles que há anos fazem dele uma maneira de sobrevivência.

Um discurso que seria magnifico, se verdadeiro.

Não é.

Gobbi jogou para a galera, dizendo o que todos no local esperavam escutar, porém, sabedor de que não possui força, muito menos moral para cumprir a promessa.

Durante os últimos anos, esse mesmo grupo que assombra as categorias de base do Corinthians, além de formarem a sustentação de sua campanha política à presidência, dividiram decisões em mesas de reuniões com o mandatário alvinegro, quando este ocupava cargo na diretoria de futebol.

Ou seja, todos sabiam de tudo durante todo o tempo.

Rabo este que o delegado não conseguirá desprender apenas com discurso, muito menos expondo ao Leões aqueles que, por ação ou omissão, permitiu realizarem o que agora diz querer paralisar.

Comparando, seria o mesmo que um delegado sentar à mesa com bicheiros e bingueiros, acertar negócios, e depois sair por ai dizendo-se contra a prática da contravenção.

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