Beckenbauer, Messi e Pelé

Por ROBERTO VIEIRA
Como é injusto o mundo do futebol!
Tão injusto quanto a vida, diria Nelson Rodrigues.
Então, pra que tanta lamúria?
Pois é.
Mas vejam o absurdo do gol.
O gol transforma o jogador de futebol.
O perna de pau vira craque.
O craque vira gênio.
O gênio semideus.
Quem viu jogar Franz Beckenbauer sabe.
Ele era a perfeição em matéria de futebol.
Não recuava bola.
Driblava em espaços minúsculos.
Elegante.
Onipresente em campo.
Beckenbauer que aprendeu a jogar nas ruínas da guerra.
Chutando pedra e tampinha de garrafa.
Reconhecidamente genial.
Nunca entrou na seleta lista de Di Stefano, Pelé, Messi e Maradona.
Nunca foi considerado o melhor de todos os tempos.
Tudo porque não marcou mais de uma centena de gols.
E vejam o absurdo do gol.
O gol transforma o jogador de futebol.
O perna de pau vira craque.
O craque vira gênio.
O gênio?
Semideus.
