Deputado diz que José Maria Marin é assassino e dedo duro

Num discurso polêmico, realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo, o Deputado Estadual Adriano Diogo (PT), arrasou com José Maria Marin, presidente da CBF.
Utilizou termos fortes, entre eles “assassino” e “dedo duro”, em alusão ao discurso de Marin, nos anos 70, que incitou os militares, à época da Ditadura, a darem cabo do jornalista Vladimir Herzog.
Desancou também o fato do Presidente da CBF chefiar a delegação do Corinthians no Mundial de Clubes, além de exaltar os manifestantes que fizeram, recentemente, o “escracho” público do dirigente.
Confira, abaixo.
ADRIANO DIOGO – PT
“(…) veja V. Exa. o que aconteceu domingo à tarde em São Paulo: vários grupos de jovens fizeram uma manifestação, que eles chamam de escracho popular, na porta do Zé Maria Marin, Presidente da CBF.
E qual era o mote dos diversos grupos de jovens?
Zé Maria Marin, a pessoa que desta tribuna da Assembleia Legislativa pediu a prisão de Vladimir Herzog e todos os seus companheiros da TV Cultura, junto com o Deputado Wadih Helú, comemorou a prisão e elogiou o rigor do Deputado Fleury no tratamento de Vladimir Herzog.
Como se não bastasse essa aberração da natureza, aqui reproduzida nos Anais da Assembleia, hoje José Maria Marin é o Presidente da CBF.
Que vergonha!
E veio para substituir quem?
Ricardo Teixeira.
Não acredito, Deputada Telma de Souza, com todo o avanço da minha idade, sendo um deputado fora de foco, assim do ponto de vista da modernidade, que o povo brasileiro aceite que José Maria Marin, com suas mãos sujas de sangue da ditadura, por ter entregue Vlado e seus companheiros, que ele chamava TV Viet-Cultura, seja o representante brasileiro na Copa do Mundo.
Embora digam que a CBF seja uma entidade privada, não vai ter organismo privado mais beneficiado pelo povo brasileiro do que a CBF.
Então, meus três amigos, meus três irmãos – Deputados Rillo, Hamilton Pereira, Telma de Souza -, façamos uma campanha nacional para que esse preposto de Ricardo Teixeira, o Sr. José Maria Marin, o dedo-duro mor da ditadura, um dos responsáveis pela prisão e morte de Vladimir Herzog, não possa ser o Presidente da CBF.
E mais: no ponto de vista do imaginário popular, Zé Maria Marin, agora no fim do ano, vai ser o coordenador da delegação do Corinthians a Tóquio.
Que vergonha! Que vergonha!
E isso não é um bando de alucinados.
Venho aqui à biblioteca da Assembleia, abro uns arquivos, peço uns pronunciamentos, e vejam quem foi José Maria Marin e Wadih Helú.
Deputado Rillo, sabe quem foi o advogado de Naji Najas no despejo do Pinheirinho, em São José dos Campos?
O filho de Wadih Helú.
O filho de Wadih Helú!
Então, senhoras e senhores, queria primeiro parabenizar essas novas gerações de jovens que fazem o levante popular, que fazem os escrachos na porta dos torturadores, que tiveram essa brilhante ideia de ir à porta do apartamento de José Maria Marin fazer um escracho popular, e dizer:
“Com as mãos sujas de sangue da ditadura, como foi na Copa de 70, quando o ditador Médici levantou o troféu junto com os jogadores da seleção brasileira vitoriosa no México, José Maria Marin, você não pode ser o Presidente da CBF, assassino e dedo-duro de Vladimir Herzog.
