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O Watergate do COB

Da “FOLHA”

Por JUCA KFOURI

“Às vésperas de Carlos Nuzman ser reeleito pela quarta vez, um novo escândalo olímpico”

AINDA SEM esclarecer o vexame do furto de informações do comitê de Londres-2012, e sem punir os mandantes da ação, eis que o COB se vê denunciado, com provas, em nova história cabeluda.

Em dezembro do ano passado, gente do COB, comandada por seu gerente de compras, Bernardo Chamis, invadiu a sede da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo, em um centro comercial em Copacabana.

O presidente da confederação, Eric Maleson, que faz solitária oposição a Carlos Nuzman, viu sua entidade sob intervenção do COB, recuperou seu posto na Justiça e promete agitar, amanhã, a quarta reeleição do cartola no comitê, no poder desde 1995.

Importa pouco saber quais são as verdadeiras intenções de Maleson, se purificar o ar do esporte olímpico nacional ou apenas chegar ao cume para repetir as práticas que o infelicitam desde sempre.

Vale, apenas, observar os métodos, dignos de organizações mafiosas e para revirar o Barão de Coubertin em seu túmulo, que perpetuam Nuzman como dono do poder.

Como presidente do COB, Nuzman já atravessou oito anos de Fernando Henrique Cardoso na Presidência da República, mais oito de Luiz Inácio Lula da Silva e o segundo ano, em curso, de Dilma Rousseff.

À custa de generosas injeções de dinheiro público na entidade, a maior parte para financiar sua administração nababesca.

Para variar, ao ser provocado pela ESPN Brasil a responder à denúncia, o COB mentiu.

Informou que entrou na sede da confederação violando suas fechaduras porque era responsável pelo aluguel da sala, falsidade prontamente desmentida pela CBDG ao mostrar o contrato de sublocação feito em julho de 2011 com a assinatura de Chamis.

Como se sabe, em junho de 1972, a sede do Partido Democrata norte-americano, no Complexo de Watergate, em Washington, foi invadida por membros do Partido Republicano, de Richard Nixon, que buscava sua reeleição.

A denúncia, do jornal “Washington Post”, redundou na renúncia de Nixon dois anos depois, comprovado que ele tinha conhecimento da invasão.

Esperar que aconteça o mesmo com Nuzman, no Brasil, pode ser ingenuidade, embora o STF a cada dia que passa, assim como as mais recentes pesquisas eleitorais em São Paulo, demonstra que o país, mesmo lentamente, está progredindo eticamente.

A ponto de não mais surpreender se Nuzman não fizer a abertura dos Jogos Olímpicos no Rio.

Porque 2012 está com cara de ser um ano que não deveria acabar, marcado que já está pelo exílio, dourado, é verdade, de Ricardo Teixeira, fora da abertura da Copa do Mundo no Brasil.

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