Marco Aurélio Cunha (PSD) cutuca Corinthians e moradores do Morumbi em discurso na Câmara

Na tentativa de defender o São Paulo na Câmara de Vereadores, o vereador Marco Aurélio Cunha fez um discurso recheado de provocações.

Logo de cara tentou explicar, sem muito sucesso, os motivos que o levavam a utilizar a palavra em defesa de seu clube de coração.

Em alguns momentos fica claro que fala como representante do São Paulo Futebol Clube, não da população.

Insinuou diversas oportunidades, até com razão, que o Corinthians construía estádio com dinheiro público, enquanto o Tricolor buscava soluções na iniciativa privada.

Tocou no assunto da briga com os moradores do bairro e deixou clara sua oposição a um possível tombamento do estádio, proposto pelas ONGs que os representam.

Falou ainda sobre a obra da cobertura do estádio, fazendo pressão para que os trâmites burocráticos sejam acelerados.

Confira, abaixo, na íntegra.

“Sr. Presidente, Srs. Vereadores, vou aproveitar este momento para falar um pouquinho sobre a questão da cobertura do Estádio do Morumbi, que é uma luta muito grande do São Paulo Futebol Clube.

Evidentemente, muitas pessoas me questionam se falamos pela cidade de São Paulo ou pelo clube.

Lógico, somos Vereadores da cidade de São Paulo, trabalhamos pela Cidade, mas isso não nos impede de falar em relação às causas dos nossos eleitores.

Muitos são-paulinos me trouxeram a esta Câmara Municipal e muitos torcedores de outros clubes também.

Não se mistura o torcedor ao eleitor, mas como temos questões de todas as áreas, não poderíamos nos omitir em relação à luta pela aprovação daquilo que será um grande benefício ao torcedor em geral e também ao são-paulino, que é dotar de conforto aquele estádio que deveria ser o da Copa do Mundo, mas que foi, por razões absolutamente conhecidas e políticas, abandonado em relação a esse evento.

Acho até que foi bom, pois dessa forma o São Paulo não ficará com uma dívida absurda, impagável e nem teve concessão de tributos de forma questionável.

Portanto, a aprovação dessa cobertura e desse alvará para a construção trará a todos um grande bem-estar, assim como a construção de uma arena com 25 mil lugares para os shows que a Cidade tanto nos cobra e gosta de ver.

Quando defendemos a ideia, houve muita controvérsia em relação aos moradores da vizinhança, à afetação de tráfego e de mobilidade urbana.

Não podemos compreender como uma benfeitoria, para dar conforto, segurança e para minimizar o barulho possa criar tanta celeuma em relação ao impacto de vizinhança.

Portanto, essa nova obra, que será executada em breve, foi aprovada com algumas diretrizes pelo Conpresp, órgão responsável pelo controle do Patrimônio Histórico.

Aqui cabe dizer que o nosso estádio foi construído por um brilhante arquiteto.

Ele tem a assinatura de Vilanova Artigas, que é reconhecidamente um arquiteto de primeira linha e com obras extraordinárias, não só no Brasil como em outros lugares.

Então, há interesse do Conpresp em averiguar se essa grande obra não afetará o estádio.

Evidentemente, o Estádio do Morumbi não é tombado e até compreendo que não poderia ser, uma vez que estádios de futebol constantemente têm de passar por aprimoramento de conforto, de segurança, de higienização e de mudanças.

Claro que essas mudanças são absolutamente necessárias e, às vezes, o impacto de um tombamento tira a oportunidade – como tirou do Pacaembu – de se modernizar e acaba se tornando um elefante branco.

Pode ser que alguns queiram isso, mas não acontecerá porque, seguramente, o São Paulo Futebol Clube e toda a sua diretoria vão saber construir e modernizar, como se está fazendo, independentemente de algumas amarras que tentam colocar dentro do nosso estádio.

Portanto, a aprovação do Conpresp foi um passo muito grande, dado o alvará final que será constituído.

Agradeço a quem compreendeu a intenção do São Paulo Futebol Clube ao fazer melhorias com dinheiro privado e não com dinheiro público, para o bem-estar dos cidadãos de São Paulo; não será do São Paulo Futebol Clube.

Ao ser melhorado o ambiente, a estrutura, o silêncio e o conforto de quem utiliza um estádio da cidade de São Paulo, embora seja patrimônio privado, com dinheiro privado, só pode haver mérito.

Por isso, agradeço a aprovação, ontem ou anteontem, do Conpresp e a iniciação, o mais rápido possível, dessas obras que vão trazer para a Cidade muito conforto.

Já abrigamos shows de grandes artistas, como Paul Mc-Cartney, Madonna, Roger Waters e Queen.

Estou falando de uma série de shows importantes que a Cidade pede.

O município quer ver esses grandes artistas, além de artistas nacionais.

Inclusive, o Papa João Paulo II já esteve no Morumbi.

Agora, com essa nova possibilidade de haver ali uma arena de shows para 25 mil lugares, com certeza isso vai engrandecer o patrimônio cultural da Cidade.

Não estou falando pelo São Paulo Futebol Clube, mas pela cidade de São Paulo.

A nossa defesa é da comunidade, é dos interesses de núcleos trazidos até aqui, como também de benefícios à cidade de São Paulo.

Muito obrigado.”

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