O fundo do poço se aproxima

Por PAULO CEZAR CAJÚ
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Não me canso de falar e opinar sobre o momento tenebroso vivido pelo futebol brasileiro já há alguns anos.
Alguns leitores me mandam e-mail dizendo que sou repetitivo, mas para essas pessoas digo que nada mais faço do que retratar a realidade do nosso futebol.
E não estou sozinho nas críticas à pobreza que vemos em campo hoje nem na cruzada pela volta do jogo bonito e ofensivo.
Tostão em suas colunas, Gérson e Casagrande em seus comentários, Rivellino e Carlos Alberto Torres em suas entrevistas – só para citar alguns – também vivem mostrando a decepção que sentem com o que têm visto.
Não sou de fazer média com ninguém nem de dourar a pílula, por isso vou continuar dando pancada enquanto o quadro não mudar.
O futebol brasileiro está caminhando a passos largos para o fundo do poço porque está ruim em todos os aspectos.
Dentro de campo, nunca vi tanto jogador de baixa qualidade técnica vestindo a camisa de times grandes.
São poucos os que tratam bem a bola, poucos os que sabem se posicionar em campo, raros os que dominam os fundamentos.
E o resultado é que vemos partidas cada vez mais feias e violentas, com jogadores que são melhores no antijogo do que no jogo…
Como pode um clássico entre Santos e São Paulo ter mais de 80 passes errados num gramado bom como o da Vila?
Deviam devolver o dinheiro para quem pagou ingresso…
E como pode um cara como o Pierre, que é escalado para não deixar o adversário jogar, fazer sete faltas só no Valdivia e só receber o cartão amarelo aos 45 minutos do segundo tempo?
Aí entramos em outro problema do nosso futebol: o nível das arbitragens.
A safra é muito ruim, com apitadores incompetentes, despreparados e mal orientados.
Também estamos a pé de treinadores.
Os “professores” tentam manter seus empregos jogando para não perder e dando mais espaço a quem corre e dá carrinho do que a quem joga bola.
Os dirigentes também são de doer.
Gastam mais do que podem, jogam pra torcida, colocam interesses pessoais acima dos do clube e da CBF…
Joguei dez anos na Seleção e defendi cinco grandes clubes, por isso sei como as coisas funcionam no meio.
E digo que o baixo nível dos cartolas de hoje assusta.
Por fim, ainda temos de aturar os analistas de computador, comentaristas que nunca chutaram uma laranja e “resolvem” todos os problemas com uma arrogância irritante.
PVC, PCV, Bertozzi, Calçade, Loffredo, Lino…
Haja controle remoto…
