A fraqueza do Proforte

Da “FOLHA”

Por JUCA KFOURI

“Surge uma nova idéia para anistiar dívidas e não exigir nada em troca, além de truques”

CANDIDAMENTE OS CARTOLAS abençoam o projeto de lei do deputado federal Vicente Cândido (PT–SP) que, sob a justificativa de fortalecer os esportes olímpicos no país, quer anistiar a dívida fiscal dos clubes de futebol com a União, que beira a casa dos R$ 5 bilhões.

Depois que os clubes receberam as graças dos Refis 1, 2 e 3 e da Timemania, o novo engodo tem o nome de Proforte. Em resumo, quem investir nos esportes olímpicos sairá da condição de devedor para a de benfeitor. A pedra é zerada. Mentira semelhante já se conta em relação aos terrenos públicos cedidos aos clubes com a contrapartida de permitir o acesso de menores carentes. É sabido que só a primeira parte tem sido regiamente cumprida e que a segunda é mera ficção.

O Proforte de Cândido já conta com a esperada simpatia da cartolagem e o inaceitável apoio do Ministério do Esporte.

Quem acompanha esta coluna sabe que aconteceu com a Timemania exatamente o que se previu que aconteceria, um fabuloso fracasso. Sabe que não ajudou time algum nem muito menos virou mania.

Mas não sabe, porque é mesmo novidade, que de tanto dar murro em ponta de faca apenas para sangrar as mãos, o colunista mudou de opinião e até é capaz de entender que se queira anistiar uma dívida de resto impagável -convencido de que ninguém vai fechar o Flamengo para se ressarcir, como um dia disse o ex-presidente Lula.

Sim, o colunista topa que em troca dos R$ 5 bilhões se exija a mudança do modelo de gestão e que todos sejam obrigados a transformar os departamentos de futebol profissional em empresas, regidas pelo Código Comercial, com as responsabilizações nele contidas, assim como se permita só uma reeleição aos presidentes de clubes beneficiados. Quem quiser adere, quem não quiser que pague o que deve.

Porque é simplesmente pornográfico o novo surto salvacionista em curso, por mais importância esportiva e cultural que os clubes tenham na vida nacional. Sem querer fulanizar novamente a questão, cumpre lembrar que o deputado Cândido virou sócio de Marco Polo Del Nero em escritório de advocacia.

Além de ter sido cicerone do bilionário mafioso russo Boris Berezovsky quando veio ao Brasil com a desculpa de que queria comprar a Varig, investir em estádios e reforçar a parceria Corinthians/MSI, empresa dele e de triste memória que acabou na Polícia Federal.

Premiar a má gestão mais uma vez estará longe de colaborar à imagem gerencial da presidenta da República e significará um soco na cara dos que pagam seus impostos em dia. Mais que fraco, o Proforte nasce cínico, hipócrita, falso, mentiroso, imoral e escandaloso, tiro de misericórdia na cidadania.

Só cabe perdão sob novo modelo de gestão. Rima e solução.

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