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Elitizou geral

Da “FOLHA”

Por XICO SÁ

“Para testemunhar um ambiente ainda bem misturado, só o amigo viajando para o Recife”

AMIGO TORCEDOR, amigo secador, chama a atenção, tanto nas cenas vistas pela TV como no testemunho de corpo presente, como o público dos estádios é cada vez mais “playboy” e menos “mano”, para usar a terminologia de classes adotada pelo rap. Com o alto preço dos bilhetes, especialmente na Libertadores, até a proletária massa corintiana deu lugar à sua torcida de classe média-média das regiões centrais de SP.

Nada contra os saudáveis jovenzinhos com óculos à Harry Potter, eles têm todo direito do mundo a embalar o seu time do peito, mas as arquibancadas estão perdendo o caráter democrático de unir todos os segmentos sociais, todas as cores e origens. A noite de anteontem no Pacaembu, quando o alvinegro da ZL triunfou sobre os equatorianos do Emelec, ficou evidente o processo de “mauricização”da torcida.

Era óbvio que isso ocorresse e talvez somente o Itaquerão, que prevê a volta da geral, devolva o direito do operariado tirar de novo a bunda do sofá e retorne ao campo. Você acredita?

O fenômeno não se restringe ao Corinthians. Repare no bolo de ingressos que boiou nas partidas das decisões dos Estaduais, incluindo Guarani x Santos no Morumbi, como mostrou esta Folha.

Nem a chamada nova classe C, toda prosa nas novelas e outras ficções extraoficiais, pode se dar ao luxo de brincar nos estádios.

Pesa no orçamento. Fora uma parte das torcidas organizadas, que toma porrada da imprensa e da polícia mas mantém certas regalias clubísticas, fica cada vez mais difícil a presença dos suburbanos corações nos jogos.

Não diria que estamos voltando para os tempos elitizados e brancos de Charles Miller, afinal de contas dentro de campo a miscigenação e a liberdade vingaram, desde o momento que times proletários como o Vasco, o Bangu etc quebraram tabus históricos.

Tampouco seria hiperbólico como o tio Nelson ao observar a “Passeata dos Cem Mil” contra a ditadura, em 1968: “Não havia, entre os manifestantes, um preto, um favelado, um torcedor do Flamengo e sequer um desdentado. Os cem mil tinham uma saúde dentária de artista de cinema”.

Sociologia de terceira à parte, típica deste cronista de botequim, o corintiano fez a festa e segue rumo ao título. E para testemunhar um ambiente ainda bem misturado, só o amigo viajando para o Recife, onde Sport x Santa Cruz, no clássico das multidões, em plena Ilha de Lost, decidem o Pernambucano neste domingo.

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