Saiba como José de Assis Aragão tentou vender o Campeonato Paulista de 1982 para o Corinthians

Ricardo Teixeira, José de Assis Aragão e Nabi Abi Chedid

É interessante como o tempo passa e as histórias de corrupção no esporte, mais cedo ou mais tarde, acabam sendo descobertas.

O ano era 1982, e o Corinthians precisava apenas de um empate com o Marília, no campo do adversário, para vencer o segundo turno do Paulistão (já havia conquistado o primeiro), e sagrar-se campeão antecipadamente.

Com uma equipe extraordinária, poucos acreditavam que o clube não voltaria com a taça na bagagem.

Solito, Alfinete, Mauro, Daniel Gonzales e Wladimir; Paulinho, Sócrates e Zenon; Ataliba, Casagrande e Biro-Biro.

Um esquadrão inesquecível !

Porém, após uma desastrosa arbitragem de José de Assis Aragão, o Marília venceu o Timão por um a zero.

Há quem diga que o árbitro fez o resultado de cabeça pensada, sabedor de que poderia ganhar muito dinheiro se outras duas partidas (as finais) fossem disputadas.

Duas testemunhas, confirmaram o ocorrido, ontem, em conversa com este jornalista.

Uma delas ligada à arbitragem, outra, na época, a um influente dirigente da Federação Paulista de Futebol.

Após o jogo, revoltados, dirigentes corinthianos, e torcedores, tentavam invadir o vestiário dos árbitros, na tentativa de agredi-los.

Fato que só não aconteceu pela intervenção de Adilson Monteiro Alves, vice-presidente de futebol corinthiano, que se trancou com o árbitro no vestiário, garantindo sua segurança.

Esperto, Aragão aproveitou a oportunidade, e escancarou sua oferta:

“Adilson, se vira, faz o pessoal me escalar na final que garanto o título para vocês”, disse o ex-árbitro.

Quem acompanhou os bastidores do futebol brasileiro nos anos 80, sabe bem que escolher um árbitro era mais fácil do que comprar maçã na feira.

Todos os dirigentes, sem exceção, se vendiam na Federação Paulista de Futebol.

Antes ainda das finais, um empate com o São Paulo, jogo após o confronto do Marília, último do turno, também daria o título antecipado ao Timão.

Novamente, pela segunda vez consecutiva, o árbitro escalado foi José de Assis Aragão.

Derrota do Corinthians por três a dois.

As tão sonhadas partidas finais, consideradas impossíveis duas rodadas atrás, estavam confirmadas.

O Corinthians, que atropelou a todos durante todo o campeonato, perdeu dois jogos na sequencia, quando um simples empate lhe garantiria o título.

Não se sabe se, de fato, o dirigente corinthiano utilizou-se do expediente – até porque, com a equipe que tinha o Corinthians, não haveria necessidade – apenas que o árbitro, não só “armou” duas partidas finais que não deveriam ter acontecido, como se ofereceu para fabricar o resultado do campeonato.

O fato é que no dia 12 de dezembro de 1982, após ter vencido a primeira partida, por um a zero, o Corinthians conquistou o Campeonato Paulista, com uma vitória por três a um contra o São Paulo.

Adivinhem quem foi o árbitro da partida…

Você pode pular direto para o fim e deixar um comentário. Pings estão desativados.

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