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Covardia na imprensa

Há muitos jornalistas covardes no Brasil.

A grande maioria deles está em posição de comando.

O relato que você lerá abaixo, publicado pelo blog do Juca, demonstra a dificuldade de ser honesto em uma profissão que depende exatamente da credibilidade do jornalista.

Só que desta vez, além de covardia, existiu o ato de desonestidade.

http://blogdojuca.blog.uol.com.br/

Parece mentira

Juca,

Veja só o que se passa em Minas.

Aloísio Morais,

Presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas.

O texto abaixo está no nosso site

jornalistasdeminas.org.br  

25/3/2009|

Derrota do América em casa derruba editor

Quem é do ramo do esporte, mais precisamente da área do futebol, sabe que tem coisa que só acontece com o América.

Esta máxima foi reforçada agora pelo episódio vivido pelo jornalista Rodrigo Rodrigues, editor de Esportes do jornal O Tempo, que foi arbitrária e sumariamente demitido por causa de um título sobre uma matéria que contava a despedida do Coelho da Copa do Brasil, por perder de 1 a 0, no Mineirão, para o paraense Águia de Marabá.

O Sindicato dos Jornalistas se solidariza com Rodrigo e repudia a forma como se deu sua demissão, e abre espaço para que ele mesmo relate como funciona certo jornalismo praticado nestas Minas Gerais:

NÃO CARREGUE NO TÍTULO DO AMÉRICA

“Manda quem pode, obedece quem tem juízo.” Como não obedeci, vou poder sacar meu módico FGTS (kkkk….). Sei que não sou o primeiro nem serei o último. Mas, como jornalista, gostaria de compartilhar com vocês a his tória a seguir.

Quinta-feira, 19 de março, aproximadamente 22h15. “Não ‘carregue’ no título do América, para evitarmos problemas amanhã. A desclassificação, por si só, já vai deixá-lo muito irritado”, recomendou.

Sexta-feira, 20 de março, exatamente 12h20, recebo uma ligação no meu celular. “Eu te avisei umas 15 vezes para não ‘carregar’ no título do América e você escreve aquilo. Se você quiser falar mal do América, não vai ser nesse jornal que vai fazer isso”, esbravejou o volátil senhor.

Respondi que levaria o assédio a que estava sendo submetido ao conhecimento da chefia. Não tive tempo. Quando cheguei para trabalhar, o cenário já estava montado e minha demissão tramada.

“Em função do que aconteceu ontem, vou ter que dispensá-lo. Eu recebi uma determinação expressa da secretária de redação para não ‘carregar’ no título do América, transmiti a ordem e você a descumpriu. Por isso, você está sendo demitido: por ter descumprido uma ordem minha, que sou seu superior hierárquico”, justificou o claudicante.

Questionei onde estava o erro da informação. “O erro foi o seguinte: quem perde de 1 a 0 não foi humilhado, ainda mais que o time teve chances de fazer gols, colocou duas bolas na trave e qualquer um poderia ter vencido (como jornalista previdente que sou, ressalto que todo o diálogo foi devidamente registrado pelo meu aparelho de MP4). Patético, não?

Disse que a humilhação mencionada não era o placar, mas, sim, a desclassificação, em casa, na primeira fase da competição, para um time de pouca ou nenhuma representatividade no cenário esportivo nacional.

Além disso, se o resultado foi considerado normal, porque a torcida estava tão revoltada após o jogo, querendo a “cabeça” dos sete presidentes do clube e do treinador? Por que o técnico do time entregou o cargo depois da partida, diante de um resultado tão normal? Antes que eu responda, peço licença para ir ao banheiro vomitar.

No mínimo, cometeram um dos erros mais graves do jornalismo e da vida: não ouviram a minha versão sobre o fato, o outro lado. Contudo, acho que é mais factível pedir ao meu filho de 8 anos que escreva um tratado sobre física quântica, a cobrar ética, honestidade e bom senso de determinadas pessoas.

Ah, já ia me esquecendo do principal. Sabem qual foi o título? “AMÉRICA É HUMILHADO PELO INEXPRESSIVO ÁGUIA MARABÁ”

Sabem como estou (além de desempregado….rs…..)? Feliz “pra” c… Tive o maior prazer em contar ao meu filho, meus pais e minha esposa que fui demitido porque feri interesses escusos. Contudo, não contrariei minha formação profissional e, sobretudo, meus princípios.

Sabem o que eu sou? Desobediente, sim, sempre. Desonesto, não, nunca.

Espero que tenham gostado…kkkkkkkkkkkkk

Abraços

Rodrigo Rodrigues, JORNALISTA, Belo Horizonte.

Obs.Este relato de Rodrigo está circulando entre amigos e colegas na internet e é publicado no site do Sindicato com a sua autorização.

Obs2., deste blog: O nome do responsável pela demissão do jornalista do jornal “O Tempo” é Teodomiro Braga.

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17 comentários sobre “Covardia na imprensa

  1. euclydes zamperetti fiori

    Este tal de teodomiro, deva ser um dos capachos do nariz nervoso e sua turma.
    Acorda, Brasil
    zamperetti fiori
    cidadão e,
    éx-árbitro de futebol

  2. Eduardo

    Acredito ter sido involuntário, mas acho que está um pouco carregado sim. O Palmeiras, qdo perdeu a vaga para o ASA de Arapiraca no Parque Antártica também foi “humilhado”? Flamengo e Fluminense foram “humilhados” por, respectivamente, Santo André e Paulista de Jundiaí em 2004 e 2005? Pode ter sido uma humilhação para suas torcidas, diretorias, etc…mas do modo como a manchete está construida, dá a entender que, além de ganhar, o adversário humilhou o derrotado, e está claro que, em nenhum dos casos citados, foi o que realmente aconteceu.

  3. Denis

    Se a moda pega aqui em São Paulo não sobra nenhum jornalista na redação para apagar a luz. Repare como as manchetes dos noticiários daqui são sensacionalistas neste mesmo nível quando o assunto é Palmeiras, Corinthians ou Santos.

  4. Alberto

    Melhor ler isso a ser cego…o mídiazinha de merda neste país…!!!! parabéns ao Rodrigo…é assim que a gente começa a mudar alguma coisa.. que esses ventos comecem a soprar na midia esportiva paulista…

  5. André

    Pra quem não sabe, o Teodomiro era o presidente do conselho deliberativo do América.

  6. Geraldo Silveira

    Esta explicado porque em Sao Paulo se ve, le e ouve tanta besteira e noticias sem fundamento algum, tem que obedecer o patrao.

  7. Caio

    O CASO A SEGUIR TAMBÉM DEPÕE CONTRA A IMPRENSA:

    http://forza-palestra.blogspot.com/2009/03/janken-ferraz-evangelista.html

    Janken Ferraz Evangelista

    Há mais coisas entre o que a imprensa publica e não publica do que a nossa vã filosofia pode imaginar.

    Há alguns dias a imprensa vem publicando que um ex-jogador de futebol é suspeito de ter assassinado sua ex-esposa e raptado sua filha.

    Todos os jornais e portais de internet vêm publicando isso há dias. Hoje o suspeito foi encontrado na casa de sua família na Bahia, por sorte a filha lá estava também e passando bem.

    O que chama a atenção é que nos três principais portais da internet do Brasil (UOL, Terra e IG) há nos LEAD´s (ou Lides)* a informação de que o suspeito é um ex-jogador de futebol.

    Claro que como eu a maioria dos leitores dos portais quer saber ex-jogador de que equipe. Porém, por algum motivo isso nos foi omitido. Em nenhum dos três portais essa informação – isso mesmo, é disso que se trata – nos é passada.

    Um doce para quem advinhar por qual equipe o suspeito ganhou o status de jogador – isso mesmo, pois para ser ‘ex-jogador’ precisa antes ser, em algum momento, um jogador.

    Não que todos os jogadores ou ex-jogadores dessa equipe sejam assassinos, suspeitos de assassinato ou bandidos, mas o que quero mostrar aqui é como as coisas são mostradas pela imprensa quando elas se referem a esse time. E olha que nem precisa ser a imprensa esportiva para omitir notícias desfavoráveis a eles.

    Caros leitores, sabem qual o motivo da omissão? É que se aparecer em algum veículo – em tempos de internet – a informação de que Janken Ferraz Evangelista é um ex-jogador de futebol do São Paulo Futebol Clube (me desculpem os leitores por ter digitado esse nome nestas páginas), e que ele é suspeito (por enquanto só isso) de ASSASSINATO E RAPTO, ficará ligado para sempre, na história da humanidade e da internet, o nome de um suposto assassino ao do time do São Paulo Futebol Clube (me desculpem de novo, mas nesse caso a citação se faz necessária).

    Nada demais, isso poderia ter acontecido com um ex-jogador (ou jogador) de qualquer equipe, o que não vale é preservar alguns e expor somente aos outros.

  8. jose oliveira

    bem feito , escreve um monte de coisas , se trabalha no jornal que é de posiçao a favor do clube , o que vc queria , champagne , este jornalista é um imbecil nato

  9. Fernando

    A nota completa do blog do Juca que foi cortada ao ser reproduzida aqui segue abaixo:

    Obs2., deste blog: O nome do responsável pela demissão do jornalista do jornal “O Tempo” é Teodomiro Braga, premiadíssimo repórter, membro do Conselho de Administração do América e autor do livro “Sonhador que faz”, uma entrevista com José Serra.

    Mas por que a edição da nota de Juca?

    Paulinho: Quando copiei estava daquele jeito. Ele deve ter acrescentado depois

  10. Léo

    é o psdb, paladino da ética oposicionista deste país.

    pois é.

    cada dia fico naquela frase do filósofo de admirar mais os cães.

    abs. Léo

  11. Bruno de Melo - Belo Horizonte/MG

    Essa paixão descomunal por futebol, ou seja lá o que for, só acrescenta idiotice às pessoas. Elas ficam cegas, se distancia dos bons valores e atentam contra outras pessoas de forma irracional.

    Isso serve tanto para o jornalista que foi demitido quanto para o que o demitiu.

    A cada dia, tenho mais nojo disso.

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