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O verdadeiro Menino Maluquinho

Por JOSÉ ROBERTO TORERO

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Desconfio que o personagem de Ziraldo cresceu e se tornou Marcos, que como ele tem o raro costume de ser sincero

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JOVIAL LEITORA e infantil leitor, vós já lestes “O Menino Maluquinho”?

Eu já. E algumas vezes.

É um delicioso livro escrito em 1980 pelo Ziraldo, um imenso sucesso que já vendeu quase três milhões de exemplares. Ele conta a história de um garoto alegre e sapeca, que fazia as coisas que tinha vontade. Agora, eu vos pergunto: em que posição jogava o Menino Maluquinho em suas peladas de futebol?

E eu vos respondo: goleiro. Nada menos do que dez páginas do livro são gastas para contar a vida de goleiro do Menino Maluquinho, posição em que ninguém quer jogar quando criança, mas que ele abraçou com gosto e graça.

Pois bem, no fim do livro o menino cresce e não sabemos que profissão ele seguiu. Porém, desconfio seriamente que ele seguiu a carreira de goleiro. E mais ainda: desconfio que ele tornou-se Marcos, do Palmeiras. Os sinais são claros. Em primeiro lugar, Marcos nasceu em 1973, ou seja, tinha sete anos quando foi lançado “O Menino Maluquinho”, que provavelmente também tinha esta idade.

Outro sinal é que ambos fazem o que lhes dá na telha. Por exemplo, enquanto a maioria dos jogadores venderia a mãe para jogar no exterior, ele decidiu não ir para o Arsenal em 2003. É bem verdade que Marcos chegou até a viajar à Inglaterra para assinar contrato, mas foi a contragosto, e decidiu ficar por aqui: seu pai estava com problemas cardíacos, e a namorada, grávida. E ele tem o raro costume de ser sincero.

Nas entrevistas, enquanto a grande maioria dos jogadores dá entrevistas óbvias, que parecem ditadas por assessores de imprensa, Marcos fala o que realmente lhe vem à cabeça. Foi assim que disse a frase politicamente incorreta: “Fumo um ou dois cigarrinhos quando tomo uma cerveja”. E, quando o criticaram por fumar, retrucou: “Isso deu mais polêmica do que o Giba (do vôlei) ter fumado maconha. Acho que vou mudar para maconha”.

O menino de Oriente, cidadezinha de 6.000 habitantes, tem língua afiada mas é ainda melhor com as mãos. Os palmeirenses jamais esquecerão dos pênaltis que ele defendeu contra o Cruzeiro pela Mercosul ou das suas partidas contra o Corinthians na Libertadores, quando Marcos parecia uma parede de tijolos construída entre os três paus. E os brasileiros em geral hão de lembrar de suas defesas contra a Turquia ou daquela logo nos primeiros minutos da final da Copa de 2002, quando um alemão deu um chute espetacular de fora da área, e Marcos, com a pontinha da unha, desviou a bola para a trave. É claro que ele fez jogos terríveis, como na derrota por 7 a 2 para o Vitória, em pleno Parque Antártica, quando falhou em três gols.

Mas, mesmo neste momento, em vez de jogar a culpa na defesa, assumiu seus erros e disse: “Ainda bem que o Vitória não chutou mais a gol depois do 7 a 2. Eu nem ia pular mais nas bolas”. Em 2007, Marcos parecia caminhar para a aposentadoria. Era uma contusão atrás da outra, e Diego Cavalieri vinha jogando bem. Mas ele se recuperou, mandou o jovem talentoso para a reserva e voltou a ser um dos melhores goleiros do país. Talvez o melhor. E sem deixar de ser simpático e original, pouco se importando com a imagem. “Se me importasse, fazia a barba todos os dias.” 

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10 comentários sobre “O verdadeiro Menino Maluquinho

  1. thiago

    Belissimo texto.

    Marcos como goleiro todos conhecem, sem palavras. E como pessoa é ainda mais extraordinario.

    Abração Paulinho!
    Descobri seu blog ontem, e veja só, hoje ja estou acessando denovo. rsrs
    Parabens e abração de um Palmeirense que é teu fã.

  2. Alviverde/SP

    Marcão NÃO EXISTE!! É um MITO vivo…”Não se vive SÓ de GLÓRIAS” diz o velho mas verdadeiro clichê.

  3. Heloisa

    Sou corintiana e, na boa, sou mais o Marcos do que o Rogério Ceni, apesar de toda a tristeza que o arqueiro alvi-verde nos proporcionou. Acho o Rogério Ceni arrogante, e o Marcão é sincero, mais “maloqueiro”…

  4. crespo

    Como todo corinthiano,já sofri muito nas mãos de São Marcos,mas sempre dou boas gargalhadas,com a honestidade e simplicidade,com que ele enfrenta alguns programas de esportes.

  5. renato

    o verdadeiro ídolo é aquele que se sobrepõe às vitórias e derrotas de su time. o marcos é assim. sou corinthiano, goleiro como o menino maluquinho – um dos primeiros livros que li -, e o admiro muito, apesar de tudo que ele fez contra o conrinthians. parabéns ao torero, parabéns ao marcão.

  6. Justiceiro

    Realmente o Marcos parece de mentira de tão fantástico que é. Belo texto do Torero, que é fera também.

  7. leonardo

    Simplesmente o melhor.

    Quem nao concordar e pensar que é o do Jd. Leonor, estamos discutindo FUTEBOL e nao HOCKEY!!

  8. Alviverde/SP

    Apesar do Marcão ser endeusado pela torcida alviverde como uma LENDA viva, admirado pela maioria dos torcedores de outros times, sua HUMILDADE, SIMPLICIDADE e SINCERIDADE é que são CATIVANTES.

  9. Helder/MG

    hahaha…

    O importante é que o Menino Maluquinho é Cruzeirense! Isto está na história!

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