Advertisements

O legado de Nuzman

“Era Nuzman” incha delegações, mas vê número de medalhistas cair

http://olimpiadas.uol.com.br/ultimas/2008/07/15/ult5584u2700.jhtm

Bruno Doro e Claudia Andrade

Em São Paulo e Brasília

A Era Nuzman do Comitê Olímpico Brasileiro chega, em agosto, em sua quarta edição das Olimpíadas convivendo com uma tendência incômoda. O período apresenta delegações olímpicas com recordes de gigantismo, sempre superando os 200 atletas, mas mostra aproveitamento menor a cada quatro anos.

Em Atlanta-1996, por exemplo, o país teve 64 medalhas. Em uma delegação de 225 atletas, recorde na época, o aproveitamento foi de 28%, o melhor do Brasil na história.

Nesse caso, foi considerada uma medalha por cada atleta que subia ao pódio – o futebol masculino, bronze, por exemplo, soma 18 medalhas nessa conta, contra apenas uma do velejador Robert Scheidt, ouro na classe Laser. No quadro geral, que considera uma medalha por prova, porém, o Brasil terminou com 15 pódios, na 25ª posição.

O desempenho nos EUA é melhor até mesmo do que o de Atenas-2004, considerada a melhor edição para Brasil em termos absolutos. Na Grécia, o quadro geral aponta cinco medalhas de ouro brasileiras e a 16ª posição. Mas apenas 41 esportistas voltaram ao país laureados, em um aproveitamento de 16,5% da delegação de 247 atletas – recorde na época.

Os números podem não ter validade para a classificação final, mas mostram que, nos últimos anos, o Brasil privilegia muito mais a quantidade do que a qualidade nas Olimpíadas. Dirigentes, inclusive, fazem sempre questão de destacar a marca megalomaníaca de atletas. Em Pequim-2008, a missão nacional novamente deve quebrar recorde de participantes, com 275 vagas conquistadas até agora.

“O esporte brasileiro já venceu, já conquistou muito antes mesmo do início dos Jogos de Pequim pelo recorde de atletas, recorde de modalidades e recorde de mulheres que vão participar. São números incontestáveis”, diz o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman.

Esse discurso, porém, pode encontrar problemas para Pequim. Com um ciclo olímpico inteiro bancado pela Lei Piva, que dá parte da arrecadação das loterias para o esporte, a cobrança por uma melhora no aproveitamento já começa a ser ouvida.

Para o ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, por exemplo, o número maior de atletas deve significar um número maior de medalhas. “O Nuzman não gosta de comentar número de medalhas, mas posso dizer que acredito que nós estaremos em um número maior de finais, conquistaremos mais medalhas e mais medalhas de ouro, e vamos ouvir o hino nacional e ver a bandeira brasileira subindo mais vezes ao pódio”.

Questionado sobre a relação quantidade x qualidade, Nuzman defendeu delegações maiores, mesmo com novatos que vão aos Jogos com poucas chances de chegar ao pódio. “Ninguém é campeão olímpico da noite para o dia, como ninguém aprende a ler da noite para o dia. É um processo. Esta é uma fase que não dá para pular, eles têm que passar por isso, pela experiência de ir a uma Olimpíada.”

Já sobre a validade de “inflar” o grupo com novatos, o chefe da delegação brasileira, Marcus Vinícius Freire, também defendeu a opção do COB. “Vale 100%, e eu digo isso de cadeira, porque como outros, também precisei de um empurrão antes de chegar até a medalha (foi prata com a seleção de vôlei em Los Angeles-1984).”

A política, porém, esbarra no exemplo de maior sucesso do esporte olímpico latino-americano. Cuba, potência dos Jogos, não costuma montar delegações grandes. Vão apenas os que têm chance. O aproveitamento relativo mostra isso. Em Atenas-2004, 152 atletas cubanos foram para a Grécia e 62 deles chegaram ao pódio – o número conta com o ouro no beisebol e o bronze no vôlei feminino. Com delegação compacta, Cuba deixou Atenas com 40% de aproveitamento.

“Nós somos diferentes de Cuba, que corta todo mundo que não tiver chance de medalha. Para a gente é importante dar essa oportunidade para o atleta. Não levamos convidados, mas seria tirar o direito de um atleta que conseguiu o índice B deixá-lo de fora. Eu tenho um filho de 13 anos que está começando a jogar vôlei e ficaria muito chateado se ele fosse cortado mesmo estando dentro da regra”, afirmou Marcus Vinícius.

Freire usou como exemplo Rosângela Conceição, primeira mulher do país a disputar a luta livre em Olimpíadas e com chances remotas de pódio. “Para a área técnica do COB, qualidade não é medalha. É abrir o leque. Para a atleta da luta, o primeiro passo é ir para a Olimpíada. Daqui a quatro anos pode melhorar o resultado, daqui a oito, chegar à final, daqui a 12, disputar medalha e daqui a 16 levar o ouro. É um degrau por vez que tem que ir cumprindo”.

Facebook Comments
Advertisements

6 comentários sobre “O legado de Nuzman

  1. jair pedro

    Nessa tenho que concordar com eles. A olimpiada não um bonde-do-vai quem-quer pois o atleta precisa alcançar o indice olimpico. Se alcançou e tem como bancar a despesa da viagem, deve ir. Pode-se até discordar do indice que, pelo que vc diz, parece estar abaixo do ideal.

    Se fosse decisão politica eu discordaria em levar grandes delegações (como provavelmente será a delegação dos xupins brasilianos interessados em capitalizar nos jogos).

    Por ultimo, não podemos esquecer que o espirito olimpico é, de fato, competir, e não necessariamente ganhar.

  2. vfarinelli

    A matéria é pertinente, mas sempre que se fala do Nuzman e do COB a mídia mostra que sempre existe o mínimo de parcela corrompida. Por exemplo, se falou de praticamente toda a gestão do Nuzman no COB mas se omitiu completamente (e nesse caso não acredito em coincidência) os números da rídicula participação brasileira em Sydney-2000, de onde trouxemos uma coleção louvável de medalhas de bronze, quase todas vindas de esportes sem importância, e, em alguns casos, de atletas de quem se esperava muito mais.

    Na minha opinião, o Nuzman é uma figura tão daninha pro esporte nacional quando o Ricardo Teixeira, e maneja gastos tão pomposos quanto, para ilusórias campanhas para eventos como Jogos Olímpicos do Rio, que soam como piada de colarinho branco após a farra que foi o esquecível Pan 2007.

    Merece também um chá de cadeira, mas inexplicavelmente, até os que o criticam têm medo de se levantar com mais força contra ele. E eu me pergunto, porque isso acontece?

  3. omar

    Esta matéria parece propaganda do PT. Se tira números do fundo do baú, mistura com uma pitada de controversia, acrescenta dados que beneficiam a argumentação e retira os que prejudica.
    Não quero nem de longe falar bem do nosso comite olimpico, mas não desta forma.
    Em Atenas 64 medalhas!!! só pode estar de brincadeira. é uma medalha por modalidade esportiva em todos os lugares do mundo. No futebol a cidadã contou 11 ou 22 ou incluiu a comissão. É ridiculo.
    Não como queriamos e como deveria, o Esporte Olimpico no Brasil, apresentou significativa melhora nos últimos 20 anos. Não acredito que Pequim será uma grande olimpiadas de medalhas, até porque o fuso conta muito, mais muito mesmo na elite esportiva(1 centésimo faz toda diferença), mas haverá muitos brasileiros disputando medalhas em muito mais modalidades que as ultimas olimpiadas.

  4. Vinicius Cabral

    Paulinho, apesar da aparente “gastação de $$$” com os atletas, uma parte é dos recursos é retirada de um jogo… de azar! Ou seja, joga quem quiser, e não é nada ilícito, pois este jogo é regulamentado pela legislação nacional.

    Quanto ao aproveitamento dos atletas, eu acho que nós encontramos dois problemas, um estrutural (falta de centros de treinamento de alto nível para várias modalidades) e o outro é emocional. Como não são realizados muitos intercâmbios, o brasileiro nitidamente “treme” e “amarela” perante alguns adversários…

    Um exemplo é o vôlei: tem um centro de preparação de excelência, os resultados (de ouro) aparecem no masculino, mas o time feminino tem um sério problema de decidir partidas que estão fáceis, mas tomam contornos de tragédia, mesmo contando com jogadoras de um nível técnico indiscutível. Convenhamos, mulherada: ganhar Grand Prix não é a mesma coisa que ganhar Olimpíada…

    Bom… é mais ou menos isso…

  5. Kao

    Esse conta apresentada de número de medalhas é, no mínimo, ridicula.
    Los hermanos ganharam na última Olimpíada duas medalhas de ouro em esporte coletivo, futebol e basquete. então ganharam 40 medalhas…. Mais do que nosso iatismo, por exemplo.
    Brincou….
    Essa matéria foi o único texto que li nos meus quase 50 anos em que se fala em número de medalhas contando o objeto medalha e não a posição conquistada.
    Piada total…

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá, seja bem vindo ao Blog do Paulinho ! Deixe aqui suas dúvidas, sugestões e denúncias. Todas as mensagens serão lidas
%d blogueiros gostam disto: